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Pimenta na Língua

Tudo sobre alguém que não tem papas na língua

A coragem de emigrar

aqui tinha dado a minha opinião acerca da dificuldade em arranjar um emprego nos dias de hoje no nosso país e da grande possibilidade de ter de emigar, sem ter qualquer vontade de o fazer.

A carta que o escritor João Tordo escreveu ao seu pai, fez com que voltasse a refletir sobre o assunto, tendo em conta que também não tenho emprego, que o meu país não me dá a oportunidade de trabalhar na minha área, e pelos visto em qualquer outra área e também porque conheço quem o tenha feito e de ânimo muito pesado.

É preciso coragem, muita coragem para partir por tempo indeterminado para um país emprestado, que desconhecemos, fazer dele o nosso país, deixando para trás casa, família e amigos.

Estava eu a tirar a minha licenciatura quando o meu namorado teve de ir com os pais para fora, precisamente porque tinha terminado os estudos e não tinha conseguido trabalho, os pais já tinham tomado essa opção e era insustentável ele ficar cá sozinho. E assim foi.

Todos sofreram, sofreu quem foi e sofreu quem ficou. Sofreram os pais porque deixaram cá a família, a casa, amigos e sobretudo porque viam o filho a sofrer por também deixar cá a namorada e os amigos. Sofreu o filho porque tinha cá a namorada, os amigos e lá só tinha a família. E sofri eu porque de repente não tinha o meu maior apoio comigo. Ele esteve sempre, embora do outro lado do telefone, do outro lado do computador. Mas foi tudo tão difícil. O que é certo é que passado uns meses ele já cá estava e com um emprego, e felizmente continua a estar.  Mas os pais e o irmão lá estão. E ele continua a sofrer, desta vez não sofre com a falta dos amigos, nem devido à namorada mas sofre com a falta da família.

Passados 3 anos tudo se mantém e se há coisa que me custa, embora não o demonstre muito é vê-los partir depois de umas férias cá. Custa porque sabemos que mal saiem de cá já estão a contar os dias para voltar a abraçar o filho, ver a restante família e olhar o mar.

Felizmente eu ainda cá estou! Ainda não ganhei essa coragem, talvez por ainda estar nesta situação apenas à 2 meses (que ja parecem uma eternidade), mas sobretudo porque ainda me encontro em casa dos meus pais e são eles que me metem a comida na mesa e me dão a possibilidade de cá estar. Um grande obrigada a eles por isso!

 

 

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