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Pimenta na Língua

Tudo sobre alguém que não tem papas na língua

As praxes

Há mais de um mês que não se ouve falar de outra coisa a não ser de praxes. Tudo o que é telejornal mostra imagens de praxes, aliás daquilo que muita gente denomina de praxe mas, que para mim, não passa apenas de miúdos a serem humilhados.

Aqui em casa já debatemos o assunto com várias pessoas, e muitas delas dizem com toda a convicção que as praxes deviam ser expressamente proibidas. Claro está, dizem isto porque as únicas ideias e imagens que têm acerca do assunto são aquelas que passam na tv ou nos jornais.Nestas pequenas conversas com que me vou deparando com familiares e amigos cá por casa, costumam-me pedir a minha opinião sabendo que já fui praxada e já tive a oportunidade de praxar.

Tenho que admitir que quando entrei na universidade ia com  receio das praxes, mas assim que começaram dei por mim a divertir-me de tal forma e a aproveitar todos os momentos que tirei da cabeça a ideia horrorosa que tinha das praxes. Tenho a certeza que isto também aconteceu devido ao meu curso estar relacionado com a educação, e era impensável futuros profissionais da educação submeterem os mais novos a humilhações públicas. Claro que tinhamos aquelas regras básicas de termos de olhar para o chão enquanto os doutores falavam, às vezes estávamos de joelhos a ouvi-los, não os podíamos interromper, mas isso penso que faz parte e não humilha ninguém. As minhas praxes não passaram de apresentações, jogos, canções, danças, as tipicas declarações de amor, e pequenos passeios pela cidade onde tivemos a oportunidade de a ficar a conhecer melhor bem como um pouco da história da mesma.

Depois, havia os outros cursos que não sendo eles de educação, para além de saberem fazer uns jogos giros, umas cantorias engraçadas e danças que só eles se lembrariam de fazer,  também sabiam como envergonhar os caloiros, como era o caso de imitação de atos sexuais.No meio disto tudo, também vi sempre doutores que compreendiam quando alguem se recusava a fazer a praxe e aceitava.

Conforme fui praxada também tive a oportunidade de praxar, e a verdadade é que não dei muita importância a isso e não fiz caso de o fazer, mas tive a oportunidade de continuar a assistir e vi que tinhamos caloiros pela frente que até pediam para participar nas praxes dos outros cursos por as nossas serem tão brandas.

Na minha opinião as praxes não têm que ser proibidas, têm sim de ser melhor pensadas e não ser apenas os cursos de educação a dar o exemplo, mas todos os cursos. Foi através das praxes que fiz grandes amizades com os doutores, por ter sido bem recebida. Por conseguir dizer com orgulho que eu sim fui praxada e não humilhada.