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Pimenta na Língua

Tudo sobre alguém que não tem papas na língua

Eu era a pior deles todos...

No tempo das vacas gordas, eu e os meus pais tínhamos por hábito almoçar "fora" ao fim de semana várias vezes, e muitas delas eram com amigos de família. Entretanto as vacas começaram a emagrecer e hoje, no tempo das vacas magras, esses almoços quase não existem. Tirando o deste Domingo, em que lá fomos com o casal e os filhos almoçar (passo à publicidade) ao Pão Saloio, onde tem o melhor Bacalhau à Lagareirio que conheço.

No meio disto tudo, a conversa foi parar aos nossos (dos filhos) tempos de criança. E claro, um dos pais diz "ela era do pior, lembro-me de um dia estarmos no café à noite e o pai bateu-lhe tanto naquele rabo". é  claro que estavam a falar de mim e do meu pai.  Eu admito, eu era a pior criança no meio daquelas todas que pertenciam ao grupo de amigos, e éramos muitas mesmo. Mas eu era ovelha ranhosa, que queria sempre tudo, que não concordava com nada, que queria tudo à sua maneira, a mais egoísta e que quando sabia que tinha razão não se calava nem por nada, e se me calasse talvez não levasse, mas não, eu tinha razão e nem à palmada a tiravam.

 

Mas estava eu a contar que estavamos a falar mal de mim e eu disse que havia uma coisa que nunca me tinha esquecido. Eu devia ter por volta de dez anos, eles acham que tinha menos, e estávamos nós no café à noite, como era hábito e eu estava a brincar com os outros miúdos, todos mais novos do que eu, num sítio onde os pais não viam, e de repente eles só ouvem gritar e chorar. No meio disto aparece lá o meu pai chateado, porque percebeu que era eu que estava a fazer mal a alguém e lá estava eu aos pontapés e às palmadas ao miúdo. E claro que quem levou as palmadas do meu pai a seguir fui eu.

Desta parte não me lembro, mas a minha mão diz que enquanto eu levava entrou um casal que ameaçou fazer queixa do meu pai por ele me bater tanto. Eu bati ao miúdo porque ele estava só a chatear-me e a provocar-me, mas ninguém acreditou em mim, nem o meu pai e a dizer que se fosse verdadde que tinha ido para perto dele e deixava-o a provocar sozinho, daí me bater. O que é certo, é que a empregada viu o miúdo a provocar-me e eu aguentar durante imenso tempo sem lhe bater, mas só contou depois de eu levar. 

 

O miúdo, hoje homem feito, não se lembrava e eles espantados por eu me lembrar. Mas eu sei bem porque me lembro, porque eu levei umas palmadas valentes porque lhe bati, mas ele também merecia, fez de propósito para eu me passar da cabeça e eu não compreendia porque era só eu a ser repreendida.

 

Nunca agradeci ao meu pai, nem à minha mãe por me terem dado tantas palmadas no rabo e outras tantas que escapavam e eram logo na cara,  nem nunca o vou fazer, mas sinceramente eu era tão má e fazia com que eles passasem cada vergonha que muitas vezes merecia e talvez até mais. A verdade é que reconheço que por ter levado umas palmadas valentes fez com que eu aprendesse muita coisa e hoje seja diferente para melhor.