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Pimenta na Língua

Tudo sobre alguém que não tem papas na língua

O perigo da estrada

Eu não ando proprimante devagar na estrada, mas também não abuso assim tanto na velociade. E se há coisa que me irrita profundamente é ir com alguém no carro, e esse alguém se mete a brincar demasiado com a velocidade ou com a estrada.

Tenho respeito. Tenho imenso medo. Nunca pensei seriamente nesse tipo de medo até à seis anos atrás quando o meu pai me vem bater à janela e me diz que acaba de ouvir na rádio falar sobre um aparatoso acidente. Eu sabia quem ia naquela carrinha. Conhecia-os a quase todos. Ela era amiga de família, passei grande parte da minha infância com ela. Sempre nos demos bem e sempre nos demos mal. Sempre tivemos as nossas guerras, mas passamos muitos dias da juntas. Apesar de nos últimos anos não nos vermos tanto, nem os nossos pais.

Nunca tinha tido uma sensação daquelas, espero nunca mais voltar a ter, mas foi horrorosa. Saberes pela rádio de um acidente, onde tens a certeza de quem lá vai dentro, agarras no telemóvel e não te atendem. E quando te atendem, não conheces quem está do outro lado e apenas te dizem que não podem fazer nada que estão a fazer exames. Não tive naquele momento noção da gravidade da situação. Falei uma vez com a família, era impossível darem-nos informação. Na televisão só se ouvia notícias de um acidente aparatoso e de uma vítima em estado muito grave que teve de ser transportada pelos meios áreos. Pelo caminho algumas paragens cardíacas. 

Lembro-me como se fosse hoje, todos os dias em que a visitei no hospital. Da primeira visita, em que ela estava em coma induzido e eu sem coragem para entrar. Fiquei para o fim. Só eu sei o quanto me custou falar para ela e perceber que não ia obter resposta. Mas só eu sei a alegria que senti quando lhe acaricei a cara e lhe perguntei se sabia quem eu era e lhe disse o meu nome. Eu vi os olhos dela a fazerem um esforço enorme para abrir. Eu vi que aquela miúda estava a lutar para sair dali. E saiu. Passado muito tempo mas saiu. Passado este tempo todpo, está uma mulher, na sua cadeira de rodas, mas para os médicos que não davam nada por ela, ela mostrou-se uma guerreira e hoje está a trabalhar, e consegue ser feliz. À mãe e à irmã ela agradece a luta que tiveram, a coragem de leão para lutarem por ela e acima de tudo por nunca baixarem os braços. Nunca conheci ninguém com tanta coragem e com tanta esperança como a mãe dela, e tenho a certeza  que foi ela que fez com que ninguém fosse abaixo. Graças a ela, tem ali uma miúda, que já é uma mulher feliz, que não mete as culpas em cima de ningúem, que não se arrepende de ter ido naquele carro, e que acima de tudo quer andar com a vida para a frente.

 

Hoje deparei-me com este vídeo, e lembrei-me deste acontecimento. Da quantidade de vezes qeu fui ao hospital visitá-la, das pessoas que vi no centro de alcoitão vítimas de acidentes na estrada, de histórias incríveis. Só eu sei o quanto me custava lá entrar. E

Isto tudo para dizer que não vale a pena. Mais vale chegar 5 minutos, 10 minutos atrasado ao local, do que arriscar não chegar lá.

 

 

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