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Pimenta na Língua

Tudo sobre alguém que não tem papas na língua

Os funerais

Primeiro que tudo não quero que ninguém se assuste com nome atribuído ao post.

Eu sei que não é comum falar sobre funerais, que o assunto é delicado, como é óbvio é um tema que toca a muita gente, porque todos nós já perdemos gente querida ou iremos perder.

 

A verdade é que eu ainda só perdi os meus avós paternos, sei que gostava muito deles, recordo-os com muito carinho, mas era novinha quando partiram e na verdade os dois funerais não se tornaram momentos traumáticos para mim. Aliás, como ambos morreram de doença, quis vê-los já sem vida, e fiquei com memória de uma imagem deles ainda mais bonita do que em vida.

E claro que não estou traumatizada com os funerais porque no da minha avó até me ri e bem com a minha mãe. Provavelmente devem estar a pensar que deveria ter vergonha de estar a dizer isto, agora não tenho, mas no momento tive muita, o que me valeu é que ia bem à frente e poucos eram aqueles que me viam.

Mas o que aconteceu afinal? O que aconteceu e o que acontece muitas das vezes, é que há dois homens, com uma doença mental, coitados, que adoram ir a funerais ajudar o padre. E aqui toda a gente os conhece. E têm por hábito chatearem-se os dois, com inveja daas tarefas que lhes são atribuídas e um deles é super asneirento. E lá estava um deles, no funeral da minha avó. Como havia muitas flores, o padre pediu aos netos que levassem e ainda sobrou para a minha mãe. Lá íamos nós, de flores na mão, e quando olho para o lado, está o maluco asneirento agarrado à minha mãe, com a mão por cima do ombro, com muita calma a dizer para ela não ficar triste que não valia a pena, que era melhor assim. E a minha mãe na boa, a pensar que era alguém próximo que se tinha apercebido que ela não estava muito bem. E eu a apreciar a cena a rir  para mim até à minha mãe olhar para ele e mandar um empurrão assustada quando vê o maluco. E ria-se ela e ria eu da figura que ela tinha estado a fazer à uns 5 minutos sem dar por isso.

É claro que quem estava a volta percebeu do que nos ríamos, mas quem vê de fora e não conhece o homem chama-nos doidas. O que é certo, é que desde que alguém conhecido morre e nós vamos prestar condolências à familia, eu normalmente não vou ao funeral, mas quando vou tenho de ficar afastada da minha mãe, caso contrário olhamos uma para a outra e lembramo-nos da cena e rimos que nem doidas.

 

Tirando esta história, ainda há outra.

 

Mas estava eu a dizer que ninguém gostava de ir a funerais, ou quase ninguém. E digo quase porquê? Porque o último que fui, foi o de uma tia da minha mãe. Ela não tinha filhos, e sempre morou com o meu tio. E para que a minha tia não ficasse sozinh a a velar o corpo, ou lá como se diz, fui lá ter com ela, até que o meu tio viesse da empresa e as restantes pessoas dos respectivos empregos. E não é que enquanto eu lá estava com a miha tia (a viva) aparece uma mulher da terra, que conhecia a família e diz:

- olá bom dia, está tudo bem? Venho aqui ver quem é que morreu!!!

 

Oi? Então toda a gente foge dos funerais e dos mortos e esta vem para aqui ver quem é que morreu e vai lá espreitar a pessoa e ainda dá uma festinha? É obvio que eu e a minha tia ficámos com cara de parvas a apreciar aquele espetáculo sem dizer uma única palavra. Até que a senhora se dirige a mim e diz:

 

- Afinal é a irmã da tua avó. Bem me tinham dito que a "não sei quantas" tinha morrido mas eu não estava a ver quem era. Vê lá tu que eu até pedi a minha filha para ir ao facebook ver se eras tu!

 

Palminhas para a senhora. A verdade é que o meu nome é igual ao da tia que morreu. Mas como é óbvio a diferença de idades

e imensa e depois daí a ir ao facebook ver se eu morri por favor. Naquele momento não percebi se ria com tamanha barbaridade se chorava. Eu se pensasse que quem tinha morrido era a pessoa que estava à minha frente e bem viva calava-me, era o mínimo, quanto mais dizer que andou a cuscar no meu facebook, para ver se lá andava a alguém a lamentar-se da minha morte!

 

Ainda me ri bastante com a minha tia (a viva) a comentar a tamanha estupidez das pessoas e o hábito que têm por aqui de irem espreitar quem morreu!

 

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