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Pimenta na Língua

Tudo sobre alguém que não tem papas na língua

Das más notícias

"Oh amor, tive um acidente" ou "Oh amor, caí de mota, podes.me vir ajudar?" é a pior chamada que eu posso receber. O que vale, é que até aqui e espero que continue assim, têm sido apenas danos meteriais, ou quando se magoa é coisa pouca. Mas uma pessoa só fica completamente descansada quando vê o rapaz à frente e percebe que está inteiro. Até lá, é coração a mil.

Há uns meses, liga-me a dizer que tinha caído de mota, que não estava a andar muito bem e que não tinha muita luz, mas que estava perto de casa, se podia lá ir ajudar. Dessa vez, andava coxo, a mota também não estava a andar lá muito bem, e apesar de ir devagar, ainda se ia espalhando numa curva à minha frente ao chegar a casa.

Ontem, logo depois de me deixar em casa para ir trabalhar, liga-me a dizer que tinha tido um acidente, que ao desviar-se para não bater num carro, foi bater num poste, que bateu no carro e que o carro não estava nada bonito. Mas antes o carro que o moço.

E pronto, de vez em quando tenho estes sustos com o rapaz, qualquer dia tenho um ataque cardíaco.

 

Os velhotes são demais

Sete e vinte da manhã, estou na cama, oiço o meu pai fechar a porta de entrada de casa, passado un segundos pareceu-me ouvir uns "ais".  Assustei-me, pensei que lhe tivesse a dar alguma coisa, mas logo de seguida o ouvi a abrir a porta da oficina o que queria dizer que estava vivo e de boa saúde por que a porta é pesada como tudo. O que fez com que eu pensasse que já estava a querer sonhar. Virei-me para o outro lado e adormeci.

Depois de me levantar, quando procurei o meu pai para lhe dizer que já tinha estado a sonhar com os ais dele, lá começa ele a contar que um vizinho, já com os seus 70 e poucos anos, ao passar de mota aqui na rua, levou com uma carrinha que estava a fazer marcha atrás. Ou seja, os ais que eu estava a ouovir tinham sido reais.O meu pai quando o viu no chão, como é óbvio e apesar de lá estar o senhor da carrinha foi lá acudir e ligar para filha, tendo em conta que os bombeiros já tinham sido chamados. Pelos vistos, o que pareciam ser apenas arranhões nos joelhos, mãos e braços, levaram uma data de pontos. O homem, coitado, em tamanho sofrimento, chamava pela mulher:  "Oh Maria, anda cá se me queres ver vivo". "Oh Manel,  tenha lá calma você não está assim tão mal" remata o meu pai.

 

Depois há acidentes

No outro dia ia tendo um ataque cardíaco enquanto conduzia.

Ia eu muito bem na minha faixa, muito concentrada (foi o que me valeu) e a ouvir uma musiquinha, quando de repente, um carro que vinha na faixa contrária, em vez de continuar na faixa dele vem direito a mim. Valeram-me os reflexos, a atenção e a rapidez com que reagi, porque pelo tempo que ele levou a reagir,  já me tinha enfiado no meio da fazenda que era um instante.

No meio de todo o assusto que apanhei, consegui percebe que ele ia distraído com um tablet ou uma merda qualquer que levava entre o volante e o vidro.

E são estes os condutores que temos na nossa sociedade.

A estrada

Eu acho que não fiz mal nenhum a alguém, mas parece que quando ando a conduzir toda a gente me quer matar.

Hoje de manhã perdi a conta à quantidade de carros que se atravessaram à minha frente na estrada, ontem perdi a conta à quantidade de carros que se atravessaram à minha frente, e calculo que amanhã a história seja a mesma.

Não vou propriamente devagar, mas também não vou a abrir, o que faz com que qualquer dia eu não tenha tempo de travar a tempo sem bater no paspalho que se tenta meter à minha frente.

Enfim, depois dizem que há acidentes, claro que há, as pessoas não têm calma, logo não os previne!

 

Que grande aventura

Eu sabia que tinha o carro na reserva, mas também sabia que estava atrasada para um jantar e pensei "ah e tal não vou para longe, meto gasóleo amanhã". Até aqui tudo bem.

Começou a chover. Coisa pouca.

Até que pensámos que seria boa ideia ir até uma festa de marisco bem conhecida e eu lá me lembrei do gasóleo, e o querido namorado disse que dava para ir e metíamos gasóleo lá. Ok, tudo bem, mas eu tenho um medo desgraçado de andar com o carro na reserva lá fui a medo.

Entretanto passadas umas horas começou a chover, e já não era coisa pouca e pensámos vir embora e ainda andámos imenso tempo de baixo de chuva e tivemos a sorte de entrar no carro e só depois começar a chover torrencialmente e a trovejar.

E claro, precisávamos de ir a uma bomba de combustível que por acaso não tinham serviço de multibanco. Até aqui muito bem, não fosse a chuva começar a ficar cada vez pior, não dar para ver a estrada e parecer que estávamos num rio. Até as tampas de esgosto, pareciam não exixtir e saíam coisas de água de baixo da estrada tipo repuxos bem grandes.

Não imaginam o medo que tive. Nunca tive tanto medo a conduzir como ontem. Imaginava chegar a uma qualquer parte da estrada e não conseguir passar de tão alagada que estava, imaginava ficar sem gasóleo no meio daquele rio, o carro derrapar para um lado qualquer, passar por cima daqueles repuxos que saíam do chão e lixar o carro todo, ou tentar dexviar e me espetar contra qualquer coisa, enfim. Só sei que dei por mim e já estava a tremer e teve de passar o rapaz para o volante.

E pronto, lá conseguimos chegar a terra menos chuvosa, parar na bomba de combustível aberta 24 horas e seguir caminho, e claro um caminho muito mais tranquilo e com menos perigos.

Fiquei parva com o estado em que fiquou aquela terra em tão poucas horas. E eu que dizia que gostava de conduzir à chuca, acho que não sabia o que era conduzir com chuva mesmo a sério, e o pergio que isso tudo implica. Parecia uma cena de filme.

O perigo da estrada

Eu não ando proprimante devagar na estrada, mas também não abuso assim tanto na velociade. E se há coisa que me irrita profundamente é ir com alguém no carro, e esse alguém se mete a brincar demasiado com a velocidade ou com a estrada.

Tenho respeito. Tenho imenso medo. Nunca pensei seriamente nesse tipo de medo até à seis anos atrás quando o meu pai me vem bater à janela e me diz que acaba de ouvir na rádio falar sobre um aparatoso acidente. Eu sabia quem ia naquela carrinha. Conhecia-os a quase todos. Ela era amiga de família, passei grande parte da minha infância com ela. Sempre nos demos bem e sempre nos demos mal. Sempre tivemos as nossas guerras, mas passamos muitos dias da juntas. Apesar de nos últimos anos não nos vermos tanto, nem os nossos pais.

Nunca tinha tido uma sensação daquelas, espero nunca mais voltar a ter, mas foi horrorosa. Saberes pela rádio de um acidente, onde tens a certeza de quem lá vai dentro, agarras no telemóvel e não te atendem. E quando te atendem, não conheces quem está do outro lado e apenas te dizem que não podem fazer nada que estão a fazer exames. Não tive naquele momento noção da gravidade da situação. Falei uma vez com a família, era impossível darem-nos informação. Na televisão só se ouvia notícias de um acidente aparatoso e de uma vítima em estado muito grave que teve de ser transportada pelos meios áreos. Pelo caminho algumas paragens cardíacas. 

Lembro-me como se fosse hoje, todos os dias em que a visitei no hospital. Da primeira visita, em que ela estava em coma induzido e eu sem coragem para entrar. Fiquei para o fim. Só eu sei o quanto me custou falar para ela e perceber que não ia obter resposta. Mas só eu sei a alegria que senti quando lhe acaricei a cara e lhe perguntei se sabia quem eu era e lhe disse o meu nome. Eu vi os olhos dela a fazerem um esforço enorme para abrir. Eu vi que aquela miúda estava a lutar para sair dali. E saiu. Passado muito tempo mas saiu. Passado este tempo todpo, está uma mulher, na sua cadeira de rodas, mas para os médicos que não davam nada por ela, ela mostrou-se uma guerreira e hoje está a trabalhar, e consegue ser feliz. À mãe e à irmã ela agradece a luta que tiveram, a coragem de leão para lutarem por ela e acima de tudo por nunca baixarem os braços. Nunca conheci ninguém com tanta coragem e com tanta esperança como a mãe dela, e tenho a certeza  que foi ela que fez com que ninguém fosse abaixo. Graças a ela, tem ali uma miúda, que já é uma mulher feliz, que não mete as culpas em cima de ningúem, que não se arrepende de ter ido naquele carro, e que acima de tudo quer andar com a vida para a frente.

 

Hoje deparei-me com este vídeo, e lembrei-me deste acontecimento. Da quantidade de vezes qeu fui ao hospital visitá-la, das pessoas que vi no centro de alcoitão vítimas de acidentes na estrada, de histórias incríveis. Só eu sei o quanto me custava lá entrar. E

Isto tudo para dizer que não vale a pena. Mais vale chegar 5 minutos, 10 minutos atrasado ao local, do que arriscar não chegar lá.