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Pimenta na Língua

Tudo sobre alguém que não tem papas na língua

Dos autocarros...

Já perdi a conta ao número de vezes em que disse que odeio andar de autocarro.

Felizmente, tenho tido a sorte de ter o carrinho da minha mãe quase sempre à minha disposição, seja para ir beber um café, dar um passeio, para ir a entrevistas e agora para ir trabalhar as duas horitas que arranjei. Mas claro que quando entram as fantásticas formações do centro de emprego, tenho de me sujeitar a ir de autocarro porque eles pagam as despesas o que já e muito bom. O pior é que o meu medo de perder o autocarro sempre foi grande, e aqui a Rita tem de apanhar o autocarro as 8:20 e vai para a paragem as 8:00 porque o maldito nunca lá passa à hora prevista. Ou passa às 08:10 ou às 08:30, e lá fico eu feita mula à espera do bicho.

Depois há o dilema de vir para casa, o caralho do autocarro aqui para casa passa de meia em meia hora, a formação acaba as 13:30, e o maldito passa às 13:30 e depois só às 14:30, e lá fico eu a ver montras a fazer tempo e sem dinheiro para gastar.

Já disse que odeio andar de autocarro?

Odeio autocarros e odeio correr!

Pior, odeio ter de correr para apanhar a porcaria do autocarro.

Lá ia eu e a minha colega a andar apressadamente na esperança de conseguirmos a apanhar o autocarro. Do nosso lado esquerdo, havia miúdos e miúdos a correr na prova de corta mato escolar, e nós a comentar que nunca gostámos de participar no corta mato e  que também não éramos grandes adeptas de corrida. E pronto, enquanto os outros corriam, nós  andávamos apressadamente, o autocarro chegava a paragem e nós ainda longe. Começámos de correr na esperança de haver uma fila gigante e que nós conseguissemos entrar. A fila não era assim tão gigante, nós é que ainda estamos em boa forma.

Escusado será que tivemos imenso tempo de língua de fora, mas se calhar ainda conseguíamos correr um corta mato!

 

Conversas de autocarro

Se há algo de que tinha realmente saudades dos tempos de andar de autocarro, eram as famosas conversas a que temos acesso quando nos esquecemos dos phones em casa.

Tendo em conta que agora tenho a oportunidade de andar várias vezes de autocarro, bons momentos estão sempre a acontecer, desde ter senhoras empoleiradas no meu banco para ouvir a conversa que estou a ter com a minha colega, a pessoas que se atrasam para apanhar o autocarro e começam a correr na rua e acabam a mandar o motorista para um sítio que nós sabemos e depois claro, as discussões ao telemóvel, que para mim, é o melhor.

Esta semana deparei-me com um grande chato no autocarro, um daqueles matulões que entra com uma música irritante e bem alta a tocar no telémovel e que não tem a capacidade de perceber que incomoda as outras pessoas e vai toda a viagem com aquela porcaria ligada. Mentira, toda a viagem não, porque a música pára quando o telemóvel toca e é aí que começa a parte engraçada da história.

Ora então cá vai. O rapagão, ainda na fila para entrar para o autocarro cumprimentou um outro que lhe pergunta se ele já está a trabalhar, ao que ele responde qualquer coisa como "olha trabalho ainda nada". Entramos no autocarro, e ele  lá mete a música no telemóvel. Não tivesse ele o ar de mau que tinha e eu tinha-lhe pedido para desligar aquela porcaria que me estava a incomodar a mim e a toda a gente que ia no autocarro. Passado um bocado o telemóvel toca, e como era de esperar vindo de um corpanzil daqueles, a voz também era grossa e bem alta, o que permite que toda a gente possa ouvir uma conversa interessante como aquelas:

Matulão: Olha vou aí ter contigo agora, estás pronta?

(...)

Matulão: Não estás? Quer dizer, saí eu do meu trabalho de propósito para estar contigo e tu fazes-me estas merdas!!

(...)

Matulão: É, sou sempre eu. Eu faço sempre tudo e também sou sempre o culpado de tudo. És sempre a mesma merda tu.  Queres queres, não queres não queres não queres.

 

O matulão que entretanto saiu, tinha umas calças lindas, com a cintura a chegar aos joelhos e uns boxers vermelhos ainda mais bonitos e com um grande boneco no rabo! Que relação tão interessante que deve ser aquela e cheia de amor que se tratam tão bem ao telefone e a outra pessoa nem sabe que o raio do rapaz está desempregado e ainda acredita que alguém sai de propósito do trabalho para ir namorar.

 

Há sempre um lado bom

Saí do Espanhol a correr para apanhar o autocarro que passaria dali a 3 ou 4 minutos. Calculei que não tivesse tempo para o apanhar, mas mesmo assim lá fui eu a correr rua a fora. Corri, corri e corri. Vi o autocarro chegar, parar, pessoas a entrar e eu a desejar que lá estivessem umas 20 pessoas para entrar para eu ter tempo de chegar.  Mas não, eram só duas ou três e o bicho passou-me mesmo à frente do nariz comigo do outro lado da estrada.

Lado bom?  Claro que há um lado bom. Fartei-me de correr.

Aventuras de autocarro

Já tinha dito que andava na formação de espanhol proporcionada pelo iefp. Para ir à formação e ter direito ao subsídio de transporte, tenho de ir de autocarro, como é óbvio.

Confesso que nunca gostei de andar de autocarro (chamem-me fina) mas o medo de o perder ou de entrar no autocarro errado assombra-me desde o 5º ano em que tinha de apanhar o autocarro sozinha para ir e vir da escola.

Não punha os pés dentro de um autocarro provavelmente há um ano e foi apenas duas ou três vezes.  Este mês já tive de andar umas quantas vezes e claro que já não tenho qualquer problema, já não tenho 9 anos, mas no entanto, continuo a ter problemas, neste caso, dentro do autocarro. Ele são velhas a tossirem para cima das pessoas, são pessoas com a cabeça em cima de nós a tentar perceber a conversa que estamos a ter, é a campaínha não tocar e o motorista não parar para saírmos, é toda uma aventura.  Mas a desta semana foi a melhor. Não tinha muitos lugares e curiosamente o lugar vazio era atrás de um senhor que certamente tirou o seu casaco do armário onde estes esteve guardado durante 10 anos, tal era o cheiro a mofo que o homem tinha consigo. Fui o caminho todo agoniada com o cheiro e tive mesmo vontade de lhe pedir para abrir a janela e meter o casaco a arejar.

Ele encontra-se com cada um.