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Pimenta na Língua

Tudo sobre alguém que não tem papas na língua

Das pessoas sem educação e sem higiene...

Finalmente chegou ao fim a formação do centro de emprego que andava a fazer. Já não suportava estar quase 5 horas fechada numa sala, com pessoas que não interessam a ninguém. Aproveitava-se a formadora, eu (convencida) e mais duas colegas. Os restantes, metiam medo ao susto por todas as questões e mais alguma. Os homens, porque tinham tanta vontade de lá estar como de comer merda às colheres, e as outras mulheres, porque em vez de se comportarem como se deveriam comportar numa formação, achavam que estavam na praça ou num salão de cabeleireiros do mais reles que poderá haver. Posso deixar-vos com um ou dois exemplos: Há quem leve o jornal da região e há quem o peça emprestado em alto e bom som alegando que quer ver os mortos. Há quem leve folhetos de hipermercados e comece a fazer a lista das compras e a colega da frente pergunta se há peixe e carne boa em promoção.

E é isto que a formadora e 3 pessoas que estão interessadas têm de aturar. É triste, todos nós sabemos que estão ali obrigados, mas porra, ao menos tirem partido e aprendam alguma coisa, ou deixem os outros aprender. No final, ainda se queixam que a formadora é assim e assado. Pergunto-me qual será a vontade da formadora de ali estar, sabendo que tem a turma que tem?

Depois, ainda há a parte do trabalho de grupo ou a pares, que é impossível de realizar quando a pessoa com que nós ficamos, assim que abre a boca quase que desmaiamos com o cheiro que de lá vem. Juro que fiquei com quatro pessoas assim, quatro, senhores. Claro que não foram os quatro de uma vez porque se assim fosse não sairía de lá viva.

Terrível, foi terrível a formação!

 

Mais uma formação!

Livrei-me da formação de Espanhol, e que por acaso até gostei muito e ontem dei início a outra formação transversal sobre técnicas de procura de emprego, empreendorismo e coisas parecidas. São apenas 5 dias, mas estamos dentro de uma sala das 9 da manhã às 14 da tarde. Claro que fazemos ali dois intervalos pelo meio, mas a coisa cansa. E cansa muito. E depois, tive o azar de calhar com um grupo que não me parece ser o melhor. Somos 3 da formação de espanhol infiltrados nuns tantos de uma outra formação que já acabou, em que metade não tem vontade nenhuma de lá estar e não faz aquilo que lhe é pedido por não estarem ali de livre vontade, ou porque estão à espera da reforma, ou porque queriam estar em casa ou simplesmente porque são mal educados e do contra. E outra metade de gente fala barato!

E é assim a minha vida!!

Eu ainda lá ando

Dei início ao curso de espanhol há umas semanas.

Só esta semana já desistiram dois alunos e pelos melhores motivos. Um arranjou um estágio profissional na sua área, e outra também conseguiu um contrato de trabalho de um ano também na área dela (que por acaso também é a minha). Mas é aqui que me sinto dividida. Fico feliz por terem arranjado trabalho, fico com esperança que também me aconteça a mesma coisa, mas depois ainda aqui estou, ainda continuo a ir ao Espanhol e desempregada.

O velho do espanhol

Há um homem na minha turma de Espanhol do iefp que me tira completamente do sério!

Ele tem a mania que sabe tudo, ele tem a mania de apontar erros ao professor onde não há, ele tem a mania de inventar problemas onde não existem, ele tem a mania de impor as suas ideias no grupo com que faz trabalhos (o meu). Ele tem a mania!

E eu cada vez mais não posso olhar para ele!

 

Já disse que não o posso ver nem pintado?

É triste viver aqui...

Tenho dias em que consigo estar bem. Consigo "esquecer" por momentos que não tenho trabalho, que tenho uma vida pela frente que devia estar encaminhada e já devia estar fora da casa dos pais.  E nesses dias, em que esqueço, consigo estar feliz. Depois, há dias em que só me aptece desaparecer, que nada para mim  faz sentido, penso que nunca deveria ter ido para a universidade, que estaria bem melhor agora se tivesse arranjado trabalho numa loja em vez de ir estudar.

Tenho vergonha de viver num país que só emprega gente que tem conhecimentos nas empresas, nas intituições, onde quer que seja. Tenho pena de viver num país onde predomina o factor Cunha e não o factor competência, num país que mete os desempregados a fazer formações que nada têm a ver com a área em que estudámos, simplesmente para baixar números de desemprego.

É triste ter que ir embora, deixar família, amigos. Mas se não for assim, este país não nos traz futuro. Já pensei em ir embora, e acho que é isso que tenho de fazer muito brevemente.

 

 

Ainda o emprego e as cunhas

E depois há aquelas que por alma do espiríto santo têm acesso a ofertas do centro de emprego sem que os editais tenham saído cá para fora.

- "olha, tenho uma entrevista. Fui lá ao centro de emprego e ele disse-me que estavam a pedir alguém para o sítio x para realizar um estágio profissional".

Fiquei espantada, disse que tinha lá metido umas 4 vezes currículo e nada.

- "ah pois, não sei, aquilo não saiu do centro de emprego, nem chegaram a meter a oferta cá fora,  mandaram-me logo ir no dia a seguir à entrevista e disseram-me na hora que tinha ficado com o lugar."

Comentei que  era um bocado estranho, normalmente fazem mais que uma entrevista e dizem que até ao dia tal comunicam se ficou com o lugar ou não. A maior parte das vezes nem dizem nada.

- "Pois, fui a única que foi à entrevista e disseram-me na hora que o lugar era meu"

Passados uns dias fiquei a saber que conhecia alguém no centro de emprego.

 

Acho que tenho de ir tentar fazer amigos para locais destes.

De novo o centro de emprego.

Amanhã lá vou eu novamente a caminho do centro de emprego, para assistir a uma palestra de acordo com a formação que defeni no centro de emprego.

Primeiro, não defini nada no centro de emprego, para além de que queria trabalhar, tinha uma licenciatura e um mestrado. E depois de certeza que vai ser mais uma proposta que não me interessa minimamente.

Na primeira que fui, tivemos o prazer, ou não, de ouvir falar muito bem de um curso de climatização e técnico de frio que dava equivalência ao 9º ano e outro ao 12º ano. Tendo em conta que a grande maioria das pessoas que lá estavam a assistir tinha licenciaturas e outros mestrados tenho quase a certeza que ninguém se inscreveu porque vi-os todos virar costas em vez de ir dar o nome.

Na segunda, era para nos inscrevermos em cursos de cozinha, que até eu gostava de lá ter ido parar, apesar de também dar equivalência ao 12º ano, mas como todo o centro de emprego é competente, ao questionar até quando é que nos podiamos increver disseram-nos que era o último dia, e a escola não era propriamente perto e teria que ser algo bastante pensado já que não era barato e não nos dava mais que o 12º ano.

E amanhã? Amanhã tenho a sensação que deve ser outra anedota que espera por mim e mais umas centenas de pessoas, mas pronto, como estamos desempregados, não temos nada que fazer, nem onde gastar o dinheiro para o combustivel e para pagar o estacionamente (tendo em conta que agora é tudo a pagar na minha cidade) vamos todos assistir a palestras desinteressantes e de carácter obrigatório, caso contrário, a nossa inscrição no centro de emprego é automaticamente cancelada.

É só mais uma....

Logo lá vou eu mais uma vez a caminho de uma sessão de esclarecimento do centro de emprego.

Se da última vez que fui aquele local me sugeriram (a mim e a mais 4 mil pessoas) fazer uma formação de 3 anos, que tinha como equivalência o 12º ano (tenho mestrado) na área da climatização e refrigeração, desta vez devem-me sugerir algo parecido.

Vamos esperar para ver, mas tenho a impressão que vou para lá simplesmente para gastar um bocadinho de gasóleo e ocupar o tempo, já que tem sido sempre assim.