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Pimenta na Língua

Tudo sobre alguém que não tem papas na língua

wc musical?

Há uns dias passei numa montra com artigos para crianças e deparei-me com a promoção de um wc musical. Fiquei naquela "cena marada".

Compreendo que inovem porque as crianças têm receio de se sentaram nas sanitas e caírem lá dentro, há redutores que para elas continuam a ser assustadores porque nas suas cabeças vão cair lá dentro na mesma. Mas mesmo assim, continuo a achar que uma espécie de bacio com música também será assustador. Então a criança está ali a fazer um esforço para fazer xixi e de repente aquilo começa a tocar? Não passará a vontade num instante?

Isto de trabalhar com crianças...

não é fácil, tem muito que se lhe diga, mas é espectacular.

Há quem não goste nada de criancinhas, quem não lhes ache graça de nenhuma, que as ache chatas e irritantes. Muitos pensam que por vezes já custa aturar os filhos deles em casa, quanto mais ir aturar os filhos dos outros, vir cansada e voltar a casa para aturar novamente crianças. Eu posso dizer que isso faz parte do meu sonho. Ter os meus, ir trabalhar com os dos outros e voltar a casa para os meus.

Se eu vivesse num país normal, no qual não houvesse uma crise de todo o tamanho, uma taxa de desemprego assustadora, e me permitisse criar um filho em condições, ou seja, um país que não este, eu não teria um, mas uns 4 ou 5 filhos.

Tenho o mestrado em pré-escolar, sou realmente apaixonada pelos mais pequenos. Esses, mais que os outros dão-me um gozo enorme aotrabalhar com eles. É incrível a quantidade de coisas e a facilidade com que uma criança de 3 ou 4 anos adquir competências. O que é triste é a sociedade ainda não dar o devido valor aos educadores e não terem noção de todo o trabalho do educador. Não é só fazer coisas bonitas para oferecer no dia da mãe, ou para decorar a sala. Tudo é motivo de aprendizagem, toda a actividade é planeada com o objectivo de desenvolver competências nas crianças. Há quem não perceba, há quem não dê valor, mas felizmente já há quem tenha noção de grande parte.

Mas estava eu a dizer que há quem não perceba como é que gostamos tanto e não nos cansamos.

Cansa, claro que cansa. E cansa muito por sinal. Mas mais do que cansar, é compensa. Claro que nem todos os dias são iguais, não somos de ferro e há dias menos bons, em que vamos com uma dor de cabeça daquelas valentes e qualquer voz faz interferência na nossa cabeça, parece que vai explodir e dá-nos vontade de os mandar calar a todos, mas não se pode.

Infelizmente não tenho a oportundiade de estar a trabalhar com os mais novos como eu gostaria, mas tive a oportunidade de estar duas horas num Atl a dar apoio ao estudo a crianças mais velhas e é claro que aproveitei.

E voltando à dor de cabeça, foi precisamente por causa dessa maldita que eu me fartei de rir esta semana com um miúdo de 6º ano.

Estávamos a estudar para o exame de português que se aproximava e  de vez em quando e para se distrair o miúdo dizia qualquer coisa numa voz super irritante que me ficava na cabeça a provocar ainda mais dor de cabeça. Pedi-lhe parar umas 2 vezes, à terceira ordenei que parasse e expliquei  o que se passava, para além de estar a incomodar toda a gente, não se estar a concentrar, ainda me estava a agravar mais a dor de cabeça. A reação dele? Colocou uma mão na minha testa, e diz "Oh Rita, está quente? Quer que eu vá pedir um cronómetro?" Sorri, perguntei para que queria um cronómetro. Respondeu-me que era para eu ver se tinha febre, ao que eu lhe respondi que dava mais jeito um termómetro. Claro que nos fartámos de rir, descontraímos e logo de seguida conseguimos estudar mais um bom bocado concentrados.

Digam se os miúdos não são engraçados.

Os bichos da seda só dão trabalho

Tenho 3 amoreiras na minha rua. São as únicas amoreiras aqui na zona, para além destas, as mais próximas ficam a 12 km. E isto quer dizer o quê? Que os pais das criancinhas que têm os bicharocos da seda em casa, passam um bom bocado do seu tempo a recolher folhas para alimentar os bichos. No entanto, o processo da apanha das folhas das amoreiras era todo mais fácil se os vizinhos da casa junto às amoreiras não tivesse reclamado alegando que estas lhe estavam a cair lá para dentro e pedisse aos senhores da junta para cortar parte da copa das árvores. Então o que acontece? É ver pais, mães, avós, tios, seja quem for, a fazer toda uma ginástica para conseguir alcançar as folhas. É vê-los com crianças às cavalitas para serem as próprias a puxarem as folhas, são chapéus de chuva a puxarem ramos de árvores, é gente a colocar a carripana debaixo da árvore, subir-lhe para a carroçaria e apanhar folhas, são escadotes que trazem de casa...É toda uma criatividade para apanhar meia dúzia de folhas.

Só sei que para quem lá vai, com tanta ginástica que fazem devem sair de lá completamente estafados, mas para mim é toda uma animação.

Por acaso, ainda não vi ninguém a fechar a tampa do contentor do lixo que lá está ao lado e subir-lhe para cima, mas não me admirava nada que alguém se lembrasse de tal coisa  (e já agora que caia lá para dentro para me rir mais um bocadinho).

Baby Boom!

Parece que decidiu tudo engravidar!

Tenho tanta, mas tanta gente à minha volta que vai ser pai/mãeque até tou parva. Tenho pelo menos 5 pessoas que irão contribuir para o aumento da natalidade. Procriai jovens, procriai que eu quero trabalhar, quantos mais bebés melhor.

Só há aqui um senão: estão-me a passar a vontade a mim de também querer entrar nessa onda.

 

Miúdos de coração grande

Fiquei de lágrimas nos olhos.

Acabo de ver uma miúda com os seus 10 ou 11 anos, a dar os seus bilhetes para assistir amanhã ao concerto da Violeta a outras duas miúdas da Terra dos Sonhos. Os bilhetez para um concerto com que ela tanto anseava e que tanto esperou.

Ficou horas na fila para comprar bilhetes, bilhetes esses que davam direito a tirar uma foto com a Violeta, e ela deu-os com um sorriso no rosto, sabendo que estava a concretizar o sonho a duas miúdas que queriam assistir ao concerto tanto como ela.

Porque é que ela ofereceu os bilhetes? Porque tinha prometido ao pai que só ia ao concerto se tivesse terminado o primeiro período com 4 valores a tudo. Como não cumpriu com os objectivos, após uma longa conversa com o pai, chegaram a conclusão que iriam oferecer os bilhetes a alguém que não teria oportunidade de os comprar. E com nova promessa de conseguir obter os 4 valores a todas as disciplinas para assistir ao concerto que a Violeta irá dar na Alemanha em Setembro.

Isto sim , é uma miúda de coração grande.

 

 

 

Isto sim, é amizade!

Vinha eu a conduzir, e reparo em dois miúdos, provavelmente com uns 9 anos, sozinhos no passeio a andar apoioados um no outro.

Abrandei para apreciar a cena e tive um misto de sentimentos. Fiquei com pena dos miúdos porque onde eles estavam e para ir para onde quer que fosse, ainda tinham de andar um bocadinho. Mas ao mesmo tempo fiquei tão feliz por ver que um deles provavelmente tinha o pé torcido e o outro, a fazer um esforço desgraçado levava-o com um braço nas suas costas e uma mão na sua cintura.

Não chama a isto de amizade? 

O primeiro dia de aulas...

tem sempre coisas engraçadas.

A minha sobrinha foi para o 5º ano, o que quer dizer que foi para uma escola nova, diferente da anterior e muito maior.

E claro, com o ínicio da escola vem o receio de se enganar no  autocarro para ir para casa. Para quem está habituado é a coisa mais fácil do mundo, porque os autocarros não são públicos, estão no recinto da escola à espera deles e cada autocarro tem o estacionamento certo, é sempre o mesmo e tem um papel no vidro a dizer para onde vai e um número. Coisa muito fácil.

A rapariga de manhã entra numa paragem, mas quando vem da escola sai noutra para ficar na casa  da avó. logo o autocarro é diferente.

Coitada da miúda foi enganada, ia ela a entrar no autocarro certo, quando a colega que pensava que ela ia sair na paragem na qual entrou, lhe diz que não é aquele autocarro. Inteligente como é, foi perguntar ao responsável qual era o autocarro e ele disse. Mas se ela tivesse dito o nome da paragem e não o nome da freguesia não se tinha enganado no autocarro.

A avó lá esperou por ela uma meia hora, quando a vê a vir a pé.

Pronto, não se pode dizer que não é desenrascada. Mas também não se pode dizer que era muito longe vá.

 

Epa, xixi em cima de mim não!

A minha sobrinha mais nova anda na fase de passar da fralda para a o bacio. Então, de ve em quando sugerimos que ela vá ao bacio tentar fazer xixi, tira-se a fralda, veste-se uma cuequinha e vamos perguntando sempre se quer ir ao bacio! Até aqu tudo bem.

O que fiz? Vesti-lhe a cueca, fomos brincar, viemos ao bacio, não fez nada, e veio para ao meu colo cantar. Escusado será dizer que nunca mais nos lembrámos que a menina estava sem fralda, e ela a mesma coisa. Não é que de repente a criança diz "ah" e arrepia-se ao mesmo tempo e o resto conseguem adivinhar. Toda eu tinha xixi da cintura para baixo. Coitada da criança, que já fica aflita quando faz xixi sem ser no bacio, quanto mais a ver que o fez em cima  da tia. Claro que tive de ir direita ao chuveiro.

As crianças têm disto.

Há crianças tão ruins

Estava eu muito bem na praia acompanhada pela minha irma e uma amiga e os respectivos filhos delas.  Aparece um miúdo para brincar com eles, aparentava ter uns 3 anos, não foi propriamente simpático tendo em conta que começou logo a tirar os brinquedos aos outros, mas lá tentámos que os "nossos", que ficaram logo de pé atrás, brincassem com ele.

Nisto tudo, perguntámos-lhe o nome. E não é que a pobre cirança respondeu que se chamava Bacalhau? Sim Bacalhau. Perguntámos, uma, duas vezes e ele insistia com o bacalhau. "João, André ou Afonso Bacalhau?" Perguntei eu a pensar que era o apelido. Mas não, respondeu "Bacalhau com batata".Não imaginam a pena que eu senti por o miúdo estar a pensar que se chamava bacalhau com batata.

Passado aí uma meia hora voltei a chamá-lo, disse o meu nome e perguntei o dele. Ele já dizia para lá outra coisa que me parecia ser Enzo, ao qual confirmei com o pai e questionei-o sobre o bacalhau com batata.

Então não é que a pobre criança, antes de estar ao pé de nós esteve a brincar com outros miúdos parvos, que ao não perceberem o nome dele decidiram dizer-lhe que se chamava Bacalhau com Batata. A criança, inocente, lá começou a repetir.

E pronto, são algumas das crianças que temos, que certamente também gostariam de ser chamados de bacalhau com batata, ou peixe com bróculos, pataniscas de bacalhau ou feijoada de chocos.

O que isto me irrita.