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Pimenta na Língua

Tudo sobre alguém que não tem papas na língua

Isto de trabalhar com crianças...

não é fácil, tem muito que se lhe diga, mas é espectacular.

Há quem não goste nada de criancinhas, quem não lhes ache graça de nenhuma, que as ache chatas e irritantes. Muitos pensam que por vezes já custa aturar os filhos deles em casa, quanto mais ir aturar os filhos dos outros, vir cansada e voltar a casa para aturar novamente crianças. Eu posso dizer que isso faz parte do meu sonho. Ter os meus, ir trabalhar com os dos outros e voltar a casa para os meus.

Se eu vivesse num país normal, no qual não houvesse uma crise de todo o tamanho, uma taxa de desemprego assustadora, e me permitisse criar um filho em condições, ou seja, um país que não este, eu não teria um, mas uns 4 ou 5 filhos.

Tenho o mestrado em pré-escolar, sou realmente apaixonada pelos mais pequenos. Esses, mais que os outros dão-me um gozo enorme aotrabalhar com eles. É incrível a quantidade de coisas e a facilidade com que uma criança de 3 ou 4 anos adquir competências. O que é triste é a sociedade ainda não dar o devido valor aos educadores e não terem noção de todo o trabalho do educador. Não é só fazer coisas bonitas para oferecer no dia da mãe, ou para decorar a sala. Tudo é motivo de aprendizagem, toda a actividade é planeada com o objectivo de desenvolver competências nas crianças. Há quem não perceba, há quem não dê valor, mas felizmente já há quem tenha noção de grande parte.

Mas estava eu a dizer que há quem não perceba como é que gostamos tanto e não nos cansamos.

Cansa, claro que cansa. E cansa muito por sinal. Mas mais do que cansar, é compensa. Claro que nem todos os dias são iguais, não somos de ferro e há dias menos bons, em que vamos com uma dor de cabeça daquelas valentes e qualquer voz faz interferência na nossa cabeça, parece que vai explodir e dá-nos vontade de os mandar calar a todos, mas não se pode.

Infelizmente não tenho a oportundiade de estar a trabalhar com os mais novos como eu gostaria, mas tive a oportunidade de estar duas horas num Atl a dar apoio ao estudo a crianças mais velhas e é claro que aproveitei.

E voltando à dor de cabeça, foi precisamente por causa dessa maldita que eu me fartei de rir esta semana com um miúdo de 6º ano.

Estávamos a estudar para o exame de português que se aproximava e  de vez em quando e para se distrair o miúdo dizia qualquer coisa numa voz super irritante que me ficava na cabeça a provocar ainda mais dor de cabeça. Pedi-lhe parar umas 2 vezes, à terceira ordenei que parasse e expliquei  o que se passava, para além de estar a incomodar toda a gente, não se estar a concentrar, ainda me estava a agravar mais a dor de cabeça. A reação dele? Colocou uma mão na minha testa, e diz "Oh Rita, está quente? Quer que eu vá pedir um cronómetro?" Sorri, perguntei para que queria um cronómetro. Respondeu-me que era para eu ver se tinha febre, ao que eu lhe respondi que dava mais jeito um termómetro. Claro que nos fartámos de rir, descontraímos e logo de seguida conseguimos estudar mais um bom bocado concentrados.

Digam se os miúdos não são engraçados.

E as novidades???

São pequeninas, mas aos poucos as coisas vão-se compondo!!!

Sabem o que é estar no sítio certo à hora certa?? Eu aprendi isso no meu dia de aniversário. Apareci no sítio certo à hora certa e dei de caras com alguém com um projecto interessante e que queria alguém de confiança da minha área para dar iníco a esse projecto. E quem é esse alguém de confiança? Se tudo correr bem e não tiver os azares que costumo ter, esse alguém serei eu. Por enquanto, enquanto a coisa não avança (está previsto para final de maio), ando a trabalhar duas áreas para essa mesma pessoa!

E pronto? As novidades não são assim tão grandes por enquanto, mas é muito melhor que nada.

Nem queria estar a contar nada disto por agora, tendo em conta que o meu azar tem sido tanto, mas é uma questão de acreditar, fazer figas e pensar que chegou a minha vez!!!

Devem gostar de gozar com a minha cara!!!

Não encontro outra explicação, devo ter mesmo cara de quem gosta de ser gozada ou então cara de quem não tem sentimentos!

Vou a passar com a minha mãe num local público e encontramos uma pessoa conhecida. Como toda a gente se preocupa imenso comigo, fez questão de perguntar se eu já tinha arranjado trabalho, com a minha vontade de a mandar para o caralho, simpaticamente lhe respondi que não. Sabem o que é que eu obtive de resposta? Algo como: "pois, compreendo-te, a minha filha também está em casa há uns meses enquanto a empresa resolve um problema e só está a receber 1500 euros por mês, menos de metade do ordenado dela"!!!!!!

Nem pensei, só lhe disse "Então e está a queixar-se? Estou há ano e meio em casa sem receber um cêntimo"!!! E vim-me embora!!!

 

As pessoa devem mesmo gostar de ver os outros na merda!

Nunca mais é dia...

e nunca mais é dia de que?

De eu sair desta casa.

Gosto muito dos meus pais, é verdade que têm dias que ninguém os pode aturar, aliás à minha mãe a maioria das vezes. Passo-me com ela praticamente dia sim dia não e estou mais que cansada. 

Cada vez mais penso em sair desta casa. Acho que já escrevi isto aqui uma data de vezes, mas a coisa está cada vez pior.

Sou pessoa para assim que arranjar trabalho e tiver o primeiro ordenado na mão, agarrar nas minhas roupas e me meter a andar num instante.  Sei muito bem que não era isso que devia fazer, que devia tentar ficar aqui e poupar ao máximo e depois sim, sair de casa com uns trocos no banco,mas não consigo. Acho mesmo que prefiro sair, e ser mais uma das que assim que o dinheiro cai na conta ele é logo gasto em renda, despesas e comiad. Mas sinceramente acho que era mais feliz.

Já não aguento ter de dar satisfações para tudo e mais alguma coisa, ouvir opiniões que ninguém tem de dar, dizer o que devo e não devo fazer...e se continuasse nunca mais saía daqui com a minha lista.

E pronto, agora é só esperar pelo maravilhoso dia em que hei-de assinar um contrato e que me caia o dinheiro na conta e partir para uma aventura a dois!

O texto do Júlio

Há dias, ao passar pela internet, bati com os olhos num texto do Júlio Isidro, fiquei com alguma curiosidade e fui lê-lo, e dei por mim a pensar na quantidade de gente que vi ter coragem e partir... coragem essa que eu bem tento ganhar.

Leiam, vale a pena.

 

“A MALA DE CARTÃO SÉCULO XXI
Adeus mãezinha vou partir! E os pais dos jovens recém formados ainda muito longe de reformados, vertem lágrimas no adeus. Vão-se fazer à vida porque , quem de direito os aconselhou. O mundo global é assim, hoje aqui sem nada, amanhã ali com pouco mais. Engenheiro cá , tem equivalência lá a porteiro de hotel.

Arquitecta aqui, vai para mulher a dias ali. Professor de inglês por cá, vale guia turístico algures. Tudo boas cabeças, bem habilitados, custaram um dinheirão aos pais e a nós contribuintes. Um dia destes, já passados aqueles primeiros tempos para assentar ganhando qualquer coisa em profissões de ocasião, serão bons engenheiros, arquitectos, médicos, professores ou investigadores nas terras que os acolheram.Claro que as enfermeiras entram directas no seu ofício porque só quem não pensa é que acha que tudo se resolve com pensos rápidos.

Fizeram bom negócio esses países, transferências a custo zero. Daqui a uns anos esta elite cá formada, será o orgulho dos pais, mais velhos, com pensões de míngua e cada vez mais saudosos. Os jovens emigrantes forçados, talvez até sejam citados como exemplo deste país tão generoso que fabrica talentos para exportar. E condecorados quando forem primeiras páginas dos jornais lá de fora. De repente, tal como acontece em alguns casos de amor de romance de cordel, as saudades dos que cá ficaram são tão grandes que o mesmo que lhes apontou o dedo para a fronteira, tem um rebate de alma e clama:- Vem, vem amigo que o sol, a sardinha assada, a alheira, o futebol, a praia, o fado esperam-te e eu que não tinha consciência do que disse, quando disse.

Os emigrantes já radicados, bem pagos, com garantia de trabalho reconhecido e família em fase de construção, imaginam que ouviram mal. Vem?
Agora já é tarde! Não contem connosco para engenheirar, arquitectar, ensinar, investigar, medicar e fazer pensos porque aqui enfermeira não enferma do valor/hora daí, menor do que empregada doméstica.

Vem? Vem para cá tu e traz outros amigos também. (desculpa lá ó Zeca mas o trocadilho é bom).

Nós os mexilhões, continuamos agarrados a esta jangada de pedra porque já somos velhos, todos com mais de 40 anos. Como não podemos…escrevemos.
Ouve filho, manda-me uma carta de chamada que eu vou para concierge em Paris, desde que não seja num arrondissement três chic….

Querida filha, será que nos bancos da City precisam de limpesa? Só do pó e esvaziar cestos de papeis não comprometedores.
Meu neto favorito, se achares que ainda sirvo para vender jornais numa banca em Bruxelas, conta comigo.

Neste vai-vem quem vai….não vem!
A jangada vai ficando mais leve, mas insustentável como o ser.

Dos feedbacks das entrevistas de emprego

Não se as pessoas são burras, se pensam que nós é que somos burros ou se simplesmente gostam de gozar com a nossa cara.

Vai uma pessoa a uma entrevista de emprego, dizem que quer fique com o lugar ou não, recebemos o feedback. Até aqui tudo bem. Depois recebemos o email:

- Ah e tal lamentamos imenso, mas não foi a candidata selecionada. No entanto, obteve uma pontuação muito boa na grelha de classificação.

Claro, que é para a pessoa ficar muito contente e ficar com o astral em cima ao pensar que não ficou com o lugar mas que afinal gostaram muito de nós.

Mas depois vem a parte melhor, vamos a observar com atenção e verificamos que foram tão burros que nem se deram ao trabalho de esconder os restantantes correios electrónicos para os quais também enviaram o mail. Ou seja, todas nós tivemos uma pontuação muita boa, todas nós tínhamos grandes hipóteses de ficar com o lugar, mas não foi o caso.

Nós já sabemos que isto funciona assim, mas ao menos podiam disfarçar e ocultavam os mail's. A ideia até é boa mas só vos fica mal minha gente.

 

Vida do caralho

Este blog já começa a ficar um bocado para o depressivo, dada a quantidade de vezes que venho para aqui escrever que estou de mal com a vida e bla bla bla.

Pois claro que isto começa a ficar depressivo! Como é que eu posso vir para aqui falar de coisinhas bonitas e fofinhas quando levo toda uma semana, todo o santo dia, durante toda a santa noite a ter pesadelos? Ando nestas noites desde a sexta-feira passada e depois ainda me admiro de acordar cheia de dores de cabeça.

Como isto não é suficiente para meter uma pessoa de mau humor, tenho todo um astral em baixo, mas quando digo em baixo, é mesmo lá bem no fundo. Começo para aqui a pensar na maldita minha vida, que de interessante não tem nada, que o tempo está a passar, os meus 26 anos quase aí à porta e eu sem trabalho, sem dinheiro e sem perspectivas de melhoras nenhumas.

E claro, como também não é suficiente uma pessoa já se sentir mal consigo própria e não conseguir esquecer estes pormenores demasiado importantes, ainda tem de levar com as pessoas a perguntar se estamos bem, que estamos com má cara, se já estamos a trabalhar e o que andamos a fazer da vida. O que é que dá vontade de responder? Sinceramente, acho que muito em breve começo a mandar pessoas para o caralho.

Ando tão parva, tão parva, que nem vontade de ir ter com as minhas amigas tenho. Nunca, mas nunca me lembro de ter tido problemas com colegas e amigos, em sentir-me mal num grupo. Nunca me senti colocada de parte, nunca me senti a "coninhas" nem da turma, nem do grupo de amigas, nunca senti que gostassem menos de mim. Agora, sinto-me o monte de merda, a coninhas. Aquela que não tem nada de interessante para contar porque a vida de interessante também não tem nada, aquela que nunca pode ir jantar aqui e ali porque não tem dinheiro, aquela parva que nunca pode ir às compras porque adivinhem? Não tem dinheiro. Aquela que nunca pode comprar o maldito bilhete de avião para daqui a uns meses porque para além de não ter dinheiro ainda tem a puta da esperança de vir a estar a trabalhar nessa altura.

Podia continuar aqui toda a noite a escrever como me sinto mal e com o quê, mas até eu já estou cansada. Escusado será dizer que já tenho a merda do teclado do computador cheio de lágrimas.

 

 

Quero um bebé

Um amigo meu vai ser Pai. E é vê-lo todo contente e a contar a toda a gente e com a felicidade estampada no rosto e já com nomes definidos e toda uma emoção a falar da ecografia. Acho muito bem e muito bonito.

E eu dou por mim a ver as pessoas a engravidar, eu que adoro crianças, tenho mais que idade para ter filhos (não querendo ter 50 anos e um filho de 12), tenho imensp amor para dar, um pai para a criança, só não tenho é trabalho. Ou seja, não tenho futuro para mim quanto mais para dar a uma criança.

Também quero um bebé.