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Pimenta na Língua

Tudo sobre alguém que não tem papas na língua

Ainda sobre as cunhas

O meu pai é amigo do dono de dois Supermercados conhecidos aqui da zona, na altura em que o primeiro abriu, ajudou muita gennte a lá entrar dentro, foi a tal cunha de muita gente. O próprio patrão perguntava se conhecia alguém de confiança para chamar. E assim doi, ajudou muita gente a ter o seu trabalhinho. Entretanto, o amigo do meu pai abriu o segundo supermercado, o processo de recrutamento através da cunha repetiu-se. Mais uma data de gente a perguntar ao meu pai se conseguia lá meter (mesmo gente que o meu pai não tinha qualquer tipo de confiança) e um primo meu que estava como eu me encontro, licenciado na área de gestão e que não encontrava nada de nada. O meu pai conseguiu lá mete-lo. Entrou para chefe de caixa, entretanto o tempo foi passando e o meu querido primo subiu de posto e foi lá metendo as amigas todas a trabalhar. Entretanto, fiquei eu desempregada e com toda a crise e toda a concorrência, eu que queria lá entrar, que tinha a cunha do meu pai, eu própria que conheço o patrão, até hoje não consegui nem consigo nem por nada.

Entretanto, soube por outra gente que lá trabalha que alguém se despediu e precisavam de alguém para a caixa, o meu querido primo como tem a mania que é patrão arranjou logo uma outra amiga para ocupar o lugar. Sem me dizer  nada, e sem dar tempo de alguém me dizer alguma coisa. A pessoa que me disse, em pura cusquice, quando alguém estava a falar sobre o assunto comentou que ele tinha uma prima que estava desempregada e que queria ir resposta das colegas "Alguma vez ele mete cá família para controlar o que ele faz??"

É caso para dizer que quando precisou, o meu pai estava cá, eu que preciso, manda-me à merda e ainda faz a cabeça ao patrão!! Estou-lhe com um ódio que só eu sei.

É triste viver aqui...

Tenho dias em que consigo estar bem. Consigo "esquecer" por momentos que não tenho trabalho, que tenho uma vida pela frente que devia estar encaminhada e já devia estar fora da casa dos pais.  E nesses dias, em que esqueço, consigo estar feliz. Depois, há dias em que só me aptece desaparecer, que nada para mim  faz sentido, penso que nunca deveria ter ido para a universidade, que estaria bem melhor agora se tivesse arranjado trabalho numa loja em vez de ir estudar.

Tenho vergonha de viver num país que só emprega gente que tem conhecimentos nas empresas, nas intituições, onde quer que seja. Tenho pena de viver num país onde predomina o factor Cunha e não o factor competência, num país que mete os desempregados a fazer formações que nada têm a ver com a área em que estudámos, simplesmente para baixar números de desemprego.

É triste ter que ir embora, deixar família, amigos. Mas se não for assim, este país não nos traz futuro. Já pensei em ir embora, e acho que é isso que tenho de fazer muito brevemente.

 

 

Ainda o emprego e as cunhas

E depois há aquelas que por alma do espiríto santo têm acesso a ofertas do centro de emprego sem que os editais tenham saído cá para fora.

- "olha, tenho uma entrevista. Fui lá ao centro de emprego e ele disse-me que estavam a pedir alguém para o sítio x para realizar um estágio profissional".

Fiquei espantada, disse que tinha lá metido umas 4 vezes currículo e nada.

- "ah pois, não sei, aquilo não saiu do centro de emprego, nem chegaram a meter a oferta cá fora,  mandaram-me logo ir no dia a seguir à entrevista e disseram-me na hora que tinha ficado com o lugar."

Comentei que  era um bocado estranho, normalmente fazem mais que uma entrevista e dizem que até ao dia tal comunicam se ficou com o lugar ou não. A maior parte das vezes nem dizem nada.

- "Pois, fui a única que foi à entrevista e disseram-me na hora que o lugar era meu"

Passados uns dias fiquei a saber que conhecia alguém no centro de emprego.

 

Acho que tenho de ir tentar fazer amigos para locais destes.

Odeio cunhas!

Na quinta feira fui a uma entrevista de emprego. Aliás, fui a duas: uma para a minha área e outra para uma loja de roupa.

Mas a da minha área que era a mais importante não poderia ter corrido melhor. Adorei o ambiente, achei as pessoas super simpáticas e as condições óptimas. Correu tão bem. Fiquei com tanta esperança. Mas verdade seja dita, tem corrido sempre bem e nunca fico em lado nenhum. Há um ano que estou numa maré de azar que teima em não terminar.

Na sexta feira uma amiga minha liga-me e diz "Consegui saber que a vaga a que te candidaste já está ocupada, que mesmo antes de fazerem as entrevistas já sabiam quem ia ocupar o cargo, mas fizeram as entrevistas na mesma!"

Hoje uma das senhoras que me fez a entrevista liga-me e diz "Gostámos imenso do seu currículo, mas infelizmente não foi a seleccionada. Qualquer das formas, como gostámos muito de si vamos guardar o seu currículo e chamamo-la numa próxima! Peço imensa desculpa, mas dejo-lhe muita sorte porque a merece"

Uma próxima vez demora muito tempo, precisava mesmo era para agora.

Já disse que odeio cunhas?

 

ODEIO CUNHAS!!!!!

Voltei ao desespero!

Já por aqui tinha dito que este mês tinha estado a tomar conta de um casalinho de gémeos de uns colegas, enquanto as crianças não tinham entrada na creche. O que fez com que tivesse um mês com rotinas, em que tinha horas para tudo, tempo para nada e dores de cabeça horríveis. Mas no meio disto tudo preferia que assim continuasse, porque  esta semana entraram para a creche, e agora aqui estou eu, de novo sem rotinas, sem muitos motivos para sair da cama de manhã e novamente desesperada por não conseguir arranjar trabalho.

Agora, é esperar por um anjinho da guarda ou por um bocadinho de sorte para arranjar alguma coisa.

Não, se calhar o melhor é mesmo procurar ou arranjar uma cunha, porque parece que neste país só assim.