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Pimenta na Língua

Tudo sobre alguém que não tem papas na língua

É triste viver aqui...

Tenho dias em que consigo estar bem. Consigo "esquecer" por momentos que não tenho trabalho, que tenho uma vida pela frente que devia estar encaminhada e já devia estar fora da casa dos pais.  E nesses dias, em que esqueço, consigo estar feliz. Depois, há dias em que só me aptece desaparecer, que nada para mim  faz sentido, penso que nunca deveria ter ido para a universidade, que estaria bem melhor agora se tivesse arranjado trabalho numa loja em vez de ir estudar.

Tenho vergonha de viver num país que só emprega gente que tem conhecimentos nas empresas, nas intituições, onde quer que seja. Tenho pena de viver num país onde predomina o factor Cunha e não o factor competência, num país que mete os desempregados a fazer formações que nada têm a ver com a área em que estudámos, simplesmente para baixar números de desemprego.

É triste ter que ir embora, deixar família, amigos. Mas se não for assim, este país não nos traz futuro. Já pensei em ir embora, e acho que é isso que tenho de fazer muito brevemente.

 

 

A coragem de emigrar

aqui tinha dado a minha opinião acerca da dificuldade em arranjar um emprego nos dias de hoje no nosso país e da grande possibilidade de ter de emigar, sem ter qualquer vontade de o fazer.

A carta que o escritor João Tordo escreveu ao seu pai, fez com que voltasse a refletir sobre o assunto, tendo em conta que também não tenho emprego, que o meu país não me dá a oportunidade de trabalhar na minha área, e pelos visto em qualquer outra área e também porque conheço quem o tenha feito e de ânimo muito pesado.

É preciso coragem, muita coragem para partir por tempo indeterminado para um país emprestado, que desconhecemos, fazer dele o nosso país, deixando para trás casa, família e amigos.

Estava eu a tirar a minha licenciatura quando o meu namorado teve de ir com os pais para fora, precisamente porque tinha terminado os estudos e não tinha conseguido trabalho, os pais já tinham tomado essa opção e era insustentável ele ficar cá sozinho. E assim foi.

Todos sofreram, sofreu quem foi e sofreu quem ficou. Sofreram os pais porque deixaram cá a família, a casa, amigos e sobretudo porque viam o filho a sofrer por também deixar cá a namorada e os amigos. Sofreu o filho porque tinha cá a namorada, os amigos e lá só tinha a família. E sofri eu porque de repente não tinha o meu maior apoio comigo. Ele esteve sempre, embora do outro lado do telefone, do outro lado do computador. Mas foi tudo tão difícil. O que é certo é que passado uns meses ele já cá estava e com um emprego, e felizmente continua a estar.  Mas os pais e o irmão lá estão. E ele continua a sofrer, desta vez não sofre com a falta dos amigos, nem devido à namorada mas sofre com a falta da família.

Passados 3 anos tudo se mantém e se há coisa que me custa, embora não o demonstre muito é vê-los partir depois de umas férias cá. Custa porque sabemos que mal saiem de cá já estão a contar os dias para voltar a abraçar o filho, ver a restante família e olhar o mar.

Felizmente eu ainda cá estou! Ainda não ganhei essa coragem, talvez por ainda estar nesta situação apenas à 2 meses (que ja parecem uma eternidade), mas sobretudo porque ainda me encontro em casa dos meus pais e são eles que me metem a comida na mesa e me dão a possibilidade de cá estar. Um grande obrigada a eles por isso!