Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Pimenta na Língua

Tudo sobre alguém que não tem papas na língua

Odeio antipáticos!!!

Fdx, mas será que as pessoas que ocupam um cargo em que têm de lidar com pessoas, cumprimentar pessoas, falar com pessoas, não percebem que a simpatia é essencial?

É que dizer bom dia sim, é boa educação, mas dizer bom dia com cara de quem está a dizer vai para o caralho, de boa educação não tem nada?

Um sorriso no rosto não?

 

Ah e tal não o reconheci...

Não sei se já aqui disse, mas não no meio da cidade, mas numa terra a 10 km. Sítio esse onde muitas das pessoas se conhecem, aliás, onde as pessoas me conhecem, ou sabem de quem sou filha, como acontece com tanta gente. O que faz com que muitas vezes eu vá na rua ou à farmácia ou onde quer quer seja e me venham perguntar se está tudo bem, ou se os meus pais estão bons, ou como está a saúde da minha avó. E eu, simpática que sou, respondo sempre, mesmo sem fazer a miníma ideia de quem seja a pessoa.

Ontem aconteceu-me algo parecido. Fui ao centro de saúde buscar umas receitas da minha avó, a sair ao mesmo tempo que eu ia um senhor, eu nem tinha reparado nele não fosse o senhor a meter conversa comigo e a cumprimentar-me com dois beijinhos. Logo de seguida argumento "Então está tudo bem consigo? Desculpe, não o estava a conhecer. " Sorriu, respondeu que não fazia mal, continuou com a sua conversa e o à vontade de quem me conhece à uma vida, pergunta pela família e vai cada um à sua vida.

Quem é o senhor? Não sei. Sei que o cunheço, sei que a família o conhece mas não consigo explicar nem perceber quem é o homem.

Não me atirem já com pedras por eu ter cumprimento alguém sem saber quem, que também não é bem assim. Eu conheço, só ainda não me lembro de onde.

 

E quando a simpatia é demais?

Se há coisa que acho importante numa pessoa que atende o público é a simpatia, mas apenas uma simpatia moderada e não se meter em tudo.

Ontem precisei de passar pelo supermercado para comprar umas coisitas que estavam em falta e vi por lá bolos rei com óptimo aspecto, como os meus pais adoram decidi trazer.

Chego à caixa e vendo quem lá estava, calculei que a senhora iria comentar todos os produtos que eu iria levar, como faz sempre : "olá boa tarde, estás boa? Ai o pão está mesmo quentinho, ai também gosto muito destes iogurtes. O bolo rei tem muito bom aspecto, mas não o consigo comer, não gosto nada de frutas cristalizadas, mas gosto tanto da massa que tenho sempre de comprar bolo rainha "

Mas o que é que eu tenho a ver com isso? Eu gosto que as pessoas que me atendam sejam simpáticas, o que nos dias de hoje parece que não se vê muito, porque anda tudo mal com a vida e parece que os clientes têm culpa, mas também não preciso de saber da vida toda das pessoas.

A má educação e o mau de ser pequena

Como grande parte das pessoas sabe, hoje em dia, as escolas têm um sistema de cartões magnéticos, que permite aos alunos darem entrada e saída na escola, comprarem senhas de  refeição, comida no bar, etc.

Esta semana precisava de ir a um agrupamento de escolas para me validarem uns papéis, e lá fui eu na quarta-feira.

Dirigi-me à portaria, expliquei o que ia fazer, deram-me um papel para ser assinado nos serviços administrativos, onde tinha de resolver o assunto, e posteriormente voltar a entregar o papel à saída.

Eu, pessoa de metro e meio e que aparenta 16 anos de idade, mas que na realidade tem 25, dirigi-me aos serviços administrativos. Assim que abro a porta, sem ter tempo para abrir a boca sequer, sou surpreendida por uma das 6 ou 7 senhoras (se não eram mais) que lá se encontravam:

- O TEU CARTAO????? (Com um ar sério, sem ter mexido o cú da cadeira e a gritar)

Eu olhei para a senhora com cara de parva, pensei que ela me estava a confundir com um aluno (óbvio) e disse:

 - Olá, primeiro que tudo boa tarde. Eu não tenho cartão, na verdade venho aqui validar o certificado do meu Mestrado.

A mulher ao aperceber-se que devia ter ficado calada, olhou rapidamente para uma colega para ser essa mesma colega a atender-me e ali ficou sentada, com ar de chateada e ao mesmo tempo de superioridade, mas claro que com um tom de pele mais avermelhado. Não me dirigiu mais uma única palavra, nem um pedido desculpa, nem uma boa tarde quando saí.

Tenho a minha teoria que ela me viu entrar sem passar o cartão, logo calculou que eu, enquanto aluna me tinha esquecido do cartão em casa, e estava pronta para me dar um valente sermão.

Claro que assim que saí porta fora me deu uma enorme vontade de rir por mais uma vez ter sido confundida por uma criança. Não fiquei chateada com isso, mas logo de seguida fiquei a pensar como é que alguém que trabalha numa escola, onde a educação deveria estar em primeiro lugar, se dirige a uma criança ou a um jovem sem dizer um olá e o que diz é a gritar e num tom super agressivo? Será que esta gente não tem filhos? Será que gostariam que os seus filhos fossem assim tratados por uma simples funcionária mal educada e sem vontade nenhuma de estar a trabalhar? Parece-me que não, mas também não me parece que este tipo de pessoas reflictam sobre o assunto.

Mas depois, também tenho quase a certeza, que este tipo de pessoas que fala assim com os jovens, devem ser os primeiros que vão para a rua dizer que as crianças e os jovens são cada vez mais mal educados. Claro que são, se na própria escola são tratados aos berros, não me admira.

 

Um fds de promoção

E pronto, já que não arranjo um emprego "a sério", passei o fim de semana num hipermercado a promover e dar a degustar um produto. Tenho de arranjar uns trocos de alguma maneira não é? Portanto lá fui eu.

 

Primeiro, deixem-me dizer que não tinha noção das extremas medidas de segurança que há para entrar e sair de um hipermercado de um shoping. Para além de ficar parva com aquilo, também me baralhei toda, perdia-me cada vez que saía da superíficie e tinha de lá voltar. Quando era para descer escadas eu subia, quando era para subir escadas eu descia, quando tinha de cortar à direita no corredor eu cortava à esquerda e por aí fora.

Bem, que confusão, confesso que se trabalhasse lá, acho que precisaria de 15 dias ou mais para decorar o percurso, e depois, não querendo generalizar aos restantos hipermercados, QUASE todas as mulheres com que me cruzei, meu deus, confesso que tive algum medo, sem me conhecerem de lado nenhum, aqulo era uma pouca vergonha a falarem, tinham uma língua do tamanho do shoping, e para falar mal, era bem afiada. Eram mil e uma vezes piores que os homens e que os rapazes, que pelo contrário até eram simpáticos. 

 

Mas voltando ao tema das promotoras, eu este fim de semana soube dar valor às promotoras, sim, às chatas que nos abordam nos corredores quando nós vamos descansados da vida e não queremos ser chateados. Acho que a partir daqui vou-lhes dar pelo menos um minuto de atenção. Então não é que é preciso a maior paciência do mundo para aturar todo o tipo de clientes? Sim, eu escrevi mesmo ATURAR. É porque há de tudo, ora vejamos:

 

- Há os Educados - Aquelas pessoas que por vezes parecem ser escassas, mas que afinal existem. Aquelas pessoas com quem dá mesmo prazer conversar, que cumprimentam, questionam, agradecem e no final ainda compram.

 

- Há os que recusam - Aqueles que te vêm ao longe, ainda não sabem o que é, mas que já te estão a dizer que não obrigada. E que tu pensas para ti: "Se te cheirasse a dinheiro vinhas a correr"

 

- Há os jeitosos - Aqueles que chamas por chamar, que pensas que vão recusar, provam, dizem que é bom e tu pensas "Epa, tu também és bomzinho", ahah, brincadeira.

 

- Há os esquesitos - Que provam dizem que não gostam, que não presta que é muito activo, ou que é demasiado gordo e tu pensas para ti mesmo: "Se calhar tu é que estás um bocadinho gordo"

 

 

- Há os comilões - São aqueles em que não precisas de chamar, bastar cheirar a comida a 500 metros que vão lá ter, e que não se ficam por um bocadinho, quase temos de dizer que há mais clientes, e que no fim não levam nada, só querem comer e ainda têm a lata de dizer que um copinho de vinho acompanhava bem;

 

- Há os chatos - Que são aqueles em que te arrependes de teres falado para eles. Em que tu dás uma palavrinha e eles ficam ali certa 10 a 15 minutos (até mais) a falar de tudo e mais alguma coisa, ainda te dão uma oportunidade ou outra de abordar outros clientes, porque lá estão eles fiéis à tua espera para mais dois dedinhos de conversa;

 

- Há os babados - Que não é preciso explicar muito, que ficam a apreciar os teus atributos, sejam eles muitos ou não.

 

- Há o mais irritante - Que é aquele cliente, que nós educada e simpáticamente abordamos, eles ouvem, porque conseguimos perceber que ouvem, mas metem os olhos no chão, aceleram o passo, ignoram a nosa voz e nós deixamos um sorriso no rosto, enquanto interiormente chamamos alguns nomes;

 

 

Eu juro que tudo aquilo que pensei não disse em voz alta, aliás sorri sempre e fui sempre educada mesmo quando tinha vontade de mandar alguém à merda, e mandei, mentalmente, mas mandei. Isto também só aconteceu mais ao final do dia, quando já estava mais que cansada, visto que estar em pé durante 8 horas, com uma pausa pelo meeio e não ter permissão para dar muito mais que três passos, não é coisa fácil. Ainda mais para alguém, inteligente como eu fui, que foi ao ginásio na sexta anterior e treinou pernas e rabo. Ou seja, escusado será dizer que foi meio caminho andado para não aguentar com as pernas.

 

E pronto, assim foi o meu fim de semana. E agora por favor, não ignorem as promotoras que vos abordam simpaticamente, elas sorriem, mas lá bem no fundo, se as ignoram e ou se são antipáticos, atrás daquele sorriso, ela está a mandar-te com toda a força à merda.