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Pimenta na Língua

Tudo sobre alguém que não tem papas na língua

...

A minha vontade de viver já não é muita.

Com a chegada do ano novo, ao pensar no que aí vem, e no que eu desejava que viesse, que fosse uma nova etapa, só consigo ficar ainda pior.

Desaparecer. É o que me aptece.

Ah e tal não o reconheci...

Não sei se já aqui disse, mas não no meio da cidade, mas numa terra a 10 km. Sítio esse onde muitas das pessoas se conhecem, aliás, onde as pessoas me conhecem, ou sabem de quem sou filha, como acontece com tanta gente. O que faz com que muitas vezes eu vá na rua ou à farmácia ou onde quer quer seja e me venham perguntar se está tudo bem, ou se os meus pais estão bons, ou como está a saúde da minha avó. E eu, simpática que sou, respondo sempre, mesmo sem fazer a miníma ideia de quem seja a pessoa.

Ontem aconteceu-me algo parecido. Fui ao centro de saúde buscar umas receitas da minha avó, a sair ao mesmo tempo que eu ia um senhor, eu nem tinha reparado nele não fosse o senhor a meter conversa comigo e a cumprimentar-me com dois beijinhos. Logo de seguida argumento "Então está tudo bem consigo? Desculpe, não o estava a conhecer. " Sorriu, respondeu que não fazia mal, continuou com a sua conversa e o à vontade de quem me conhece à uma vida, pergunta pela família e vai cada um à sua vida.

Quem é o senhor? Não sei. Sei que o cunheço, sei que a família o conhece mas não consigo explicar nem perceber quem é o homem.

Não me atirem já com pedras por eu ter cumprimento alguém sem saber quem, que também não é bem assim. Eu conheço, só ainda não me lembro de onde.

 

O rei do engate

Epa, ando lixada com um colega meu.

O rapaz acabou com a namorada quase à um ano. Digamos que ela tinha um feitio para cima de mau, ele não podia dar um passo sem ela, ela respondia-lhe sempre mal, e de vez em quando ainda levava uma chapada. Até aqui tudo bem, sempre achamos que aquela relação não lhe fazia nada bem, portanto acabar sempre pareceu a melhor solução.

Agora, quer dizer, desde então, vem a parte em que ele se lembra que existe toda uma vida que ele não aproveitou nestes tempos de namoro, que há mais não sei quantas mil gajas que andam cheias de fome e à procura de gajos para uma noite. Ou seja, há que aproveitar.

O problema é quando ele arrasta os amigos atrás para engatar as gajas. Ele podia ir sozinho, porque afinal é ele que não tem namorada e anda cheio de fome, mas não. Não é isso que ele faz. Trata-nos muito bem, diz-nos que estamos muito lindas (muita graxa)  e depois vem com a conversa de que os nossos namorados também precisam de tempo para eles. Ou seja, também precisam de sair entre homens.

Claro, os únicos que têm namorada, são os únicos que têm um carro de cinco lugares, e como eles normalmente ou são 4 ou 8, precisavam do 5º e do 10º com carro. Desta vez levou o meu atrás. Burro, que não percebeu que era por ter o carro. Mas também não sou eu que vou dizer.

E qual era o programa das festas?Ir para uma matiné, mas como era de prever, a festa que foi à tarde prolongou-se pela noite fora.

E quem é que se lixa? Eu claro. Que por acaso tinha um concerto, e que fui lá parar sozinha. E só lá fui parar porque na noite anterior me lembrei de pedir o convite ao moço para eu guardar, já devia estar a prever, caso contrário ficaria em casa.

Eu sei que os namorados também precisam de sair, claro que confio no meu, que sei que gosta de mim e que não me vai fazer merda. Mas não imaginam o que me irrita, o outro os usar a eles só para conseguir engatar mais facilmente e que a noite renda. E sim, sei do que estou a falar porque já vi o rei do engate várias vezes em acção.

À noite, quando os meus outros amigos me perguntavam onde eles estavam ainda nos rimos bastante, ao imaginar que o rei do engate, um dia engatasse um travesti e só percebesse na altura de tirar a saia.

Era bonito não era?

Curtir a vida

Ainda ontem vim da Praia da Rocha, e já me aptece voltar para lá novamente. Quando estamos de férias, é tudo uma grande maravilha, eu e a minha mãe damo-nos muito bem. Mas depois, chegamos a casa e voltamos ao mundo real, ao mundo das discussões, de estar sempre tudo mal feito, de eu ficar a dormir mais 5 minutos que devia, e tudo e mais alguma coisa. E depois, temos uma sobrinha que nos acorda ainda antes das oito da manhã a dizer "Tia, vamos curtir a vida". Eu adoro curtir a vida, mas também adoro curtir o meu sono na minha cama sem ser acordada aos berros.

Por enquanto, sei que isto vai continuar até arranjar um trabalho.

Amizade

Sabe tão bem quando nos voltamos a aproximar de quem já foi um grande amigo e que a universidade, o tempo e a vida fez com que nos afastássemos. Ontem fui novamente esplanadar com uma dessas pessoas e é tão bom sentir que para além dos três ou quatro anos que passaram por nós, tudo se mantém muito parecido, e o que não está igual foi mudado para melhor.

Estou empenhada, em não deixar mais ninguém fugir da minha vida daqui para a frente. A vida é demasiado curta para deixarmos fugir boa gente.

O perigo da estrada

Eu não ando proprimante devagar na estrada, mas também não abuso assim tanto na velociade. E se há coisa que me irrita profundamente é ir com alguém no carro, e esse alguém se mete a brincar demasiado com a velocidade ou com a estrada.

Tenho respeito. Tenho imenso medo. Nunca pensei seriamente nesse tipo de medo até à seis anos atrás quando o meu pai me vem bater à janela e me diz que acaba de ouvir na rádio falar sobre um aparatoso acidente. Eu sabia quem ia naquela carrinha. Conhecia-os a quase todos. Ela era amiga de família, passei grande parte da minha infância com ela. Sempre nos demos bem e sempre nos demos mal. Sempre tivemos as nossas guerras, mas passamos muitos dias da juntas. Apesar de nos últimos anos não nos vermos tanto, nem os nossos pais.

Nunca tinha tido uma sensação daquelas, espero nunca mais voltar a ter, mas foi horrorosa. Saberes pela rádio de um acidente, onde tens a certeza de quem lá vai dentro, agarras no telemóvel e não te atendem. E quando te atendem, não conheces quem está do outro lado e apenas te dizem que não podem fazer nada que estão a fazer exames. Não tive naquele momento noção da gravidade da situação. Falei uma vez com a família, era impossível darem-nos informação. Na televisão só se ouvia notícias de um acidente aparatoso e de uma vítima em estado muito grave que teve de ser transportada pelos meios áreos. Pelo caminho algumas paragens cardíacas. 

Lembro-me como se fosse hoje, todos os dias em que a visitei no hospital. Da primeira visita, em que ela estava em coma induzido e eu sem coragem para entrar. Fiquei para o fim. Só eu sei o quanto me custou falar para ela e perceber que não ia obter resposta. Mas só eu sei a alegria que senti quando lhe acaricei a cara e lhe perguntei se sabia quem eu era e lhe disse o meu nome. Eu vi os olhos dela a fazerem um esforço enorme para abrir. Eu vi que aquela miúda estava a lutar para sair dali. E saiu. Passado muito tempo mas saiu. Passado este tempo todpo, está uma mulher, na sua cadeira de rodas, mas para os médicos que não davam nada por ela, ela mostrou-se uma guerreira e hoje está a trabalhar, e consegue ser feliz. À mãe e à irmã ela agradece a luta que tiveram, a coragem de leão para lutarem por ela e acima de tudo por nunca baixarem os braços. Nunca conheci ninguém com tanta coragem e com tanta esperança como a mãe dela, e tenho a certeza  que foi ela que fez com que ninguém fosse abaixo. Graças a ela, tem ali uma miúda, que já é uma mulher feliz, que não mete as culpas em cima de ningúem, que não se arrepende de ter ido naquele carro, e que acima de tudo quer andar com a vida para a frente.

 

Hoje deparei-me com este vídeo, e lembrei-me deste acontecimento. Da quantidade de vezes qeu fui ao hospital visitá-la, das pessoas que vi no centro de alcoitão vítimas de acidentes na estrada, de histórias incríveis. Só eu sei o quanto me custava lá entrar. E

Isto tudo para dizer que não vale a pena. Mais vale chegar 5 minutos, 10 minutos atrasado ao local, do que arriscar não chegar lá.

 

 

Vida...

Se há algo que me irrita e entristece profundamente, é  eu estar mal, não estar bem comigo própria, com a tristeza que tem sido a minha vida, com  facto de não conseguir arranjar a porcaria de um trabalho, e depois ainda ter de levar com as pessoas que mais amo irritadas e chateadas comigo.

Estou em casa desde dezembro, sem dinheiro e sem trabalho. Para além da falta de do trabalho, começa a faltar-me a auto-estima, a sanidade mental e a alegria. Começo a ganhar tristeza, lágrimas nos olhos e vontade de mandar a minha família à merda cada vez que dizem que eu não faço nada, e que me mandam trabalhar. Será asssim tão difícil meter na cabeça aquilo que e já disse vezes sem conta: que não estou a trabalhar não por falta de vontade, mas sim porque não arranjo nada? Irrita-me eu já estar na merda e ainda me conseguirem por pior. Uma pessoa já faz um esforço enorma para se manter alegre, para dar um sorriso e estar na brincadeira com esta gente, e depois, numa discussãozita sem interesse nenhum, que surge simplesmente por estarmos demasiado tempos juntos depois de eu estar tanto tempo só a vir a casa ao fim de semana, por causa de essas disscussões de merdade, conseguem mandar-me abaixo com toda a facilidade. Metem-me no fundo do poço.

Só eu sei a vontade que tenho de arranjar um trabalhito, de ocupar o tempo, de ganhar uns trocos, para começar a ganhar a minha independência e não ter de levar com ninguém.

Cada vez mais vejo que quando preciso deles, eles não estão, que quando estão só fazem pior. E como se não bastasse um problema, chovem  sempre mais dois ou três atrás.

Parabéns a mim!

E pronto, chegou o dia!

É hoje que faço 25 anos, e foi hoje tamb+em que começei a sentir o peso da idade. Sempre ouvi dizer que a partir de uma certa idade, perdemos aquele entusiasmo todo de fazermos anos, e hoje percebi que começo a achar menos graça a festejar o aniversário. Começo a sentir-me velha, que a vida não é apenas uma brincadeira, e que agora sim, é tudo muito mais a sério.

Mas pronto, cá estou a festejar o meu 25º aniversário, e mais logo estarei a jantar com as pessoas mais importantes da minha vida, porque essas sim, são as que me fazem feliz e que me fazem viver cada ano com mais intensidade ainda. Porque elas, sim, são os amores da minha vida!

Então pronto, Parabéns a Mim!

 

Triste desabafo

Eu preciso de deitar cá para fora tudo o que penso, se há alguma coisa que me atormenta, se não estou bem com algo ou alguém, se tenho aqui alguma coisa atravessada eu tenho de dizer. E isso, por vezes, torna-se um problema porque digo coisas que não são agradáveis de ouvir, mas que muitas das vezes têm de ser ditas. E eu tenho um grupo de amigos que se alarga a um grupo de conhecidos ainda com alguma gente, e nessa gente há pessoas com que eu não me identifico e na maioria das vezes eu sou sempre a má da fita por abrir a boca,  quando deveria estar calada. E é també daí que surge o nome do blog, porque há mesmo momentos em que deveria meter pimenta na língua para ver se aprendo a ficar calada.

Tantas vezes que senti necessidade de "desabafar" e não o fiz porque sabia que ou iria ser mal interpretada, ou não haveria compreensão de quem me ouvisse, ou o fazia com a pessoa errada, ou então aqui ficava eu em casa a desabafar comigo própria e deixar as coisas comigo, ia engolindo. O blog surgiu um pouco para combater isso. Pensei que ao criar o blog, ninguém me via a cara, ninguém me conhecia, não iria ter alguém para me julgar nem apontar um dedo, que seria o meu espaço, e que no meu espaço eu digo o que eu quiser e o que penso. E assim criei o blog.

Mas o blog não é apenas meu, já e de muita gente que visita, claro que é recente, mas sei que apesar de poucas, já há quem venha cá quase todos os dias, já há quem vá conhecendo um bocadinho de mim e já começa a haver da minha parte aquela coisa de pensar duas vezes antes de escrever, e o objetivo não era esse, daí ser um blog de alguém "que não tem papas na língua".

E hoje, tal como foi ontem e ainda no dia anterior, é um daqueles dias para esquecer, em que me sinto desiludida com tudo e com todos, em que sinto que ninguém me compreende, que não vale a pena falar, desabafar, que nem sei como explicar o que vai aqui dentro, porque sei que ninguém vai compreender, aliás, se o fizer a resposta não vai passar de um "não sei o que te pode atormentar, vida melhor que a tua é difícil, não fazes nada"... ou "então vai trabalhar" que ainda é pior e neste momentos é das piores coisas que me podem dizer, porque é o que eu mais quero e que infelizmente não depende só de mim.

E é aí que começa um dos problemas. Não faço nada, ou seja, não tenho trabalho. O que quer dizer que não tenho uma rotina de sair de casa a uma certa hora da manhã e chegar a outra. Depois, os meus pais trabalham a dois passos de casa, almoçam em casa e eu vejo-os a toda a hora. Depois apesar de não fazer nada, tudo o que faço está mal feito, ou seja, se limpo alguma coisa é porque foi mal limpo, se lavo uma loiça é porque foi mal lavada, se passo a ferro, há sempre algo de errado na roupa. Enfim... Depois à parte em que eu poderia agarrar no carro mais vezes e ir passear ou dar uma volta mais vezes. Mas não o faço porque eu como não faço nada não ganho para meter gasóleo no carro, então vamos lá ter calma porque se tenho o carro para ir dar uma volta à noite ao fim de semana é muito bom, não vou querer perder isso.

E depois vem a parte pior. Que é eu não ter os piores pais do mundo, felizmente na maioria das vezes até nos damos muito bem e gosto muito deles, mas tenho aquele pais com os quais nunca fui de falar de namorados, nem de namoros, nem de sexo, nem de nada. E isso torna as coisas complicadas (apesar de já não ser nenhuma criança )como o facto de querer estar mais vezes com o namorado, de querer lá ficar em casa aos fins de semana ou uma noite ou outra ou simplesmente de não querer ir dormir a casa e não ir e pronto. Não, aqui não funciona assim. E tudo isto me faz mal e pior que tudo não se sabe resolver e muito menos não se sabe como falar destas coisas. E depois sofro eu e sofre tudo o que me envolve. Não só eu, como a minha relação, como as amizades, como tudo. Toda eu dou em doida com estas coisas todas.

Enfim...eu penso cá para mim que metade destes meus problemas irão desaparecer quando eu arranjar um trabalho, aguentar um tempinho a poupar os trocos e sair de casa. Isso mesmo, sair de casa porque neste momento seria a melhor opção. Não quero sair de casa simplesmente porque tenho namorado e a nossa relação neste momento é estável. Quero sair de casa nem que seja para morar sozinha. Tenho 24 anos, estou quase nos 25 e preciso de viver a minha vida sem dar explicações a ninguém, sem ninguém ter nad a ver com a hora a que eu chego a casa, onde dormi ou deixei de dormir, se levo o carro ou vou de boleia. Por outro lado, acho que também todos os males se resolviam se eu tivesse a coragem de agarrar na mala e arranjar um trabalho num país que me desse mais oportunidades que este (o que não é muito difícil de arranjar).

A verdade é que eu preciso de espaço, preciso de liberdade... e é com esse espaço e e com essa liberdade que eu sei que vou conseguir ser um bocadinho mais feliz.

 

 

Peço desculpa pelo desabafo, mas este espaço é meu, e faço dele o que quero =)