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Pimenta na Língua

Tudo sobre alguém que não tem papas na língua

Triste desabafo

Eu preciso de deitar cá para fora tudo o que penso, se há alguma coisa que me atormenta, se não estou bem com algo ou alguém, se tenho aqui alguma coisa atravessada eu tenho de dizer. E isso, por vezes, torna-se um problema porque digo coisas que não são agradáveis de ouvir, mas que muitas das vezes têm de ser ditas. E eu tenho um grupo de amigos que se alarga a um grupo de conhecidos ainda com alguma gente, e nessa gente há pessoas com que eu não me identifico e na maioria das vezes eu sou sempre a má da fita por abrir a boca,  quando deveria estar calada. E é també daí que surge o nome do blog, porque há mesmo momentos em que deveria meter pimenta na língua para ver se aprendo a ficar calada.

Tantas vezes que senti necessidade de "desabafar" e não o fiz porque sabia que ou iria ser mal interpretada, ou não haveria compreensão de quem me ouvisse, ou o fazia com a pessoa errada, ou então aqui ficava eu em casa a desabafar comigo própria e deixar as coisas comigo, ia engolindo. O blog surgiu um pouco para combater isso. Pensei que ao criar o blog, ninguém me via a cara, ninguém me conhecia, não iria ter alguém para me julgar nem apontar um dedo, que seria o meu espaço, e que no meu espaço eu digo o que eu quiser e o que penso. E assim criei o blog.

Mas o blog não é apenas meu, já e de muita gente que visita, claro que é recente, mas sei que apesar de poucas, já há quem venha cá quase todos os dias, já há quem vá conhecendo um bocadinho de mim e já começa a haver da minha parte aquela coisa de pensar duas vezes antes de escrever, e o objetivo não era esse, daí ser um blog de alguém "que não tem papas na língua".

E hoje, tal como foi ontem e ainda no dia anterior, é um daqueles dias para esquecer, em que me sinto desiludida com tudo e com todos, em que sinto que ninguém me compreende, que não vale a pena falar, desabafar, que nem sei como explicar o que vai aqui dentro, porque sei que ninguém vai compreender, aliás, se o fizer a resposta não vai passar de um "não sei o que te pode atormentar, vida melhor que a tua é difícil, não fazes nada"... ou "então vai trabalhar" que ainda é pior e neste momentos é das piores coisas que me podem dizer, porque é o que eu mais quero e que infelizmente não depende só de mim.

E é aí que começa um dos problemas. Não faço nada, ou seja, não tenho trabalho. O que quer dizer que não tenho uma rotina de sair de casa a uma certa hora da manhã e chegar a outra. Depois, os meus pais trabalham a dois passos de casa, almoçam em casa e eu vejo-os a toda a hora. Depois apesar de não fazer nada, tudo o que faço está mal feito, ou seja, se limpo alguma coisa é porque foi mal limpo, se lavo uma loiça é porque foi mal lavada, se passo a ferro, há sempre algo de errado na roupa. Enfim... Depois à parte em que eu poderia agarrar no carro mais vezes e ir passear ou dar uma volta mais vezes. Mas não o faço porque eu como não faço nada não ganho para meter gasóleo no carro, então vamos lá ter calma porque se tenho o carro para ir dar uma volta à noite ao fim de semana é muito bom, não vou querer perder isso.

E depois vem a parte pior. Que é eu não ter os piores pais do mundo, felizmente na maioria das vezes até nos damos muito bem e gosto muito deles, mas tenho aquele pais com os quais nunca fui de falar de namorados, nem de namoros, nem de sexo, nem de nada. E isso torna as coisas complicadas (apesar de já não ser nenhuma criança )como o facto de querer estar mais vezes com o namorado, de querer lá ficar em casa aos fins de semana ou uma noite ou outra ou simplesmente de não querer ir dormir a casa e não ir e pronto. Não, aqui não funciona assim. E tudo isto me faz mal e pior que tudo não se sabe resolver e muito menos não se sabe como falar destas coisas. E depois sofro eu e sofre tudo o que me envolve. Não só eu, como a minha relação, como as amizades, como tudo. Toda eu dou em doida com estas coisas todas.

Enfim...eu penso cá para mim que metade destes meus problemas irão desaparecer quando eu arranjar um trabalho, aguentar um tempinho a poupar os trocos e sair de casa. Isso mesmo, sair de casa porque neste momento seria a melhor opção. Não quero sair de casa simplesmente porque tenho namorado e a nossa relação neste momento é estável. Quero sair de casa nem que seja para morar sozinha. Tenho 24 anos, estou quase nos 25 e preciso de viver a minha vida sem dar explicações a ninguém, sem ninguém ter nad a ver com a hora a que eu chego a casa, onde dormi ou deixei de dormir, se levo o carro ou vou de boleia. Por outro lado, acho que também todos os males se resolviam se eu tivesse a coragem de agarrar na mala e arranjar um trabalho num país que me desse mais oportunidades que este (o que não é muito difícil de arranjar).

A verdade é que eu preciso de espaço, preciso de liberdade... e é com esse espaço e e com essa liberdade que eu sei que vou conseguir ser um bocadinho mais feliz.

 

 

Peço desculpa pelo desabafo, mas este espaço é meu, e faço dele o que quero =)

 

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